VENCEU A VALIDADE



O modelo de mesa-redonda sobre futebol precisa ser alterado para o bem de nós, torcedores, e dos profissionais que a exercitam. Com todo respeito a vários deles que conheço e admiro, a função está prejudicando o talento.

Há infinidade de mesas-redondas, todas no mesmo modelo, discutindo a mesma coisa, por horas e horas, enveredando para assuntos pretéritos, similares, com informações repetitivas e conhecidas. Os mesmos participantes, a todo dia, a toda hora, reiterando os mesmos conceitos e valores, o que esgota o espectador.

O jornalismo de opinião está se consolidando, poucos trazem notícia nova, “furo”, temos mais fofocas, especulações, do que fatos.

Outro dia, uma mesa-redonda discutia a importância de Dudu para o Palmeiras. Alguém tem dúvida?

Além, de discussões inócuas que levam muito tempo, cada um emitindo posição pessoal, geralmente sem acrescentar conhecimento específico ou recente. Aquilo rumina, vai e volta, sem provocar emoção.

No lugar do jornalismo investigativo aportou o pseudo estatístico, com a profusão de números que são citados sem qualquer base científica que se torna mais um elogio à memória do que a informação. Estatística vale quando consagra um padrão.

Não há preocupação de aprofundamento em questões financeiras ou de gestão. Há pouco, havia a informação correta de que o Palmeiras acumulara dívida de mais de 500 milhões. Falou-se com suposto especialista apoiador da situação, que argumentou se tratar de passivo contábil. O falso argumento foi aceito.

Se alguém quis abordar o assunto precisa ganhar maior conhecimento sobre ele, para não ser “enrolado” pelo interlocutor. O Palmeiras tem dívida de mais de 500 milhões e passivo que ultrapassou 700 milhões.

O mais cansativo surge quando se comentam jogos passados, e na tela rodam aqueles “dois minutos” que a detentora de direitos fornece.

Repete-se à exaustão. Algumas vezes por 40 minutos os “dois” são repassados vinte vezes, enjoando o torcedor.

Alguém pode sugerir que mudemos de canal, mas, não é assim. Porque em todos os canais o modelo se reproduz, de modo que não há alternativa.

Por outro lado, somos torcedores-apaixonados, somos só 20% dos que se declaram torcedores de um clube; 80% são meros simpatizantes, 25% nem assistem, 25% desligam a TV no intervalo, quando o jogo começa depois das 21h30min. Precisam acordar cedo e não possuem a devoção que temos e apreciamos estender a todos, como houvesse uma Nação inteira na frente da telinha até o apito final. Portanto, quem deve mudar não somos nós, são as mesas-redondas, a forma como acontecem, está na hora de utilizarmos a inovação, o “jeitinho” positivo.

Todavia, se isso não estiver ao alcance ou causar muito incômodo, dá para se basear, mutatis mutandis, nos programas similares americanos dedicados ao esporte. É uma forma mais incisiva, com perguntas diretas sobre questões do momento de cada jogo, objetivas, com opiniões diretas e fortes, sem aquele vaivém que não sai do lugar e leva a conclusões como “qualquer um pode ganhar”, “clássico é clássico”, “ambos têm qualidade”, aquela imparcialidade que parece ponderação, mas traz o viés de fazer média geral. O que tira a possibilidade de muitos profissionais exercerem o talento que têm, pois é mais fácil restar no modelo “da mesma coisa com nada excepcional”, um conforto que afasta o Brasil de efetuar verdadeiro salto de qualidade. Sejamos brasileiros, sejamos criativos!

 

 

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