URUGUAI - NINGUÉM NUNCA SABE NADA - BLOG JL PORTELLA

URUGUAI – NINGUÉM NUNCA SABE NADA



O Uruguai entrou nas quartas-de-final como o maior favorito. A mídia especializada toda cravou a vitória, como o comentarista da TV Globo, que, para fazer um “hedge”, na linha que todos fazem, ao exaltar o favoritismo celeste, acrescentou que o futebol poderia ter surpresas. Bingo!  Houve. Só que o depoimento dele e de vários analistas, antes da partida,  não contemplavam , de fato, a eliminação uruguaia.

Contudo, não adianta o futebol dar seguidas lições de imprevisibilidade, nossa prepotência é maior do que o arrependimento. Sempre corremos risco de algum amigo “cortar o braço”( vide José Carlos do Amaral em Palmeiras x Atlético Mineiro há anos atrás – rifou o braço pelo time que perdeu), porque apostou no favorito. No limite, a grande maioria da crítica especializada aposta no favorito, sobretudo aquela que se sente entendida de táticas e sistemas de jogo. Não é porque isso não funcione, que as predições dão errado, é por eles sobrevalorizarem a relevância das táticas, dos técnicos e dos desenhos esquemáticos.
O Peru era o mais fraco dos concorrentes nas quartas-de-final, e havia servido para que a crítica recaísse nos elogios demasiados e , por vezes, bajulatórios a Tite e à Seleção. O saco de pancadas, Peru, pariu a classificação, enquanto aqueles que eram considerados “os melhores da Copa”(Uruguai), com o ataque “mais efetivo do mundo”, quedaram-se pasmos, com o seu maior artilheiro, em golpe cruel das circunstâncias, sendo responsável pelo pênalti perdido.
Como sempre reiterei em várias colunas, o sábio hebreu Ary é que mantinha a escrita verdadeira: “Na verdade, ninguém nunca sabe nada”, apregoava. Quer dizer claramente: estamos sempre achando que dominamos os vaticínios, metidos em nossa arrogância baseada em dados incompletos, que não açambarcam a vida como ela é.
O Chile também entrou um tanto “underdog” contra a Colômbia dos 100%, porém aí a mídia não enfiou o pé tão profundamente na certeza. Embora a imprensa tenha olvidado em suas análises, a tradição não vencedora da Colômbia, um futebol técnico, alegre, mas sem a devida gana pela vitória, e acostumado com a falta de “sangue nos olhos”, nas horas essenciais.
Futebol não é só brilho técnico individual e coletivo, não é só esquema tático, embora ele importe, não é só a visão do passado recente, tem a história, a cultura, o lado anímico, quase sempre, por ignorância, desprezado.
Um pouco de humildade sempre nos cai bem. Porque na verdade: Ninguém Nunca Sabe Nada!

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