ROUBANDO A CENA - OS ÁRBITROS OCUPAM OS HOLOFOTES - BLOG JL PORTELLA

ROUBANDO A CENA – OS ÁRBITROS OCUPAM OS HOLOFOTES



Os árbitros entraram em campo para dominar o palco. Antes, a ideia de boa arbitragem vinculava-se ao fato de o “juiz não ser percebido”, passar longe do protagonismo. Bom árbitro era o “não comentado”.
Tudo mudou!

Eles assumem o foco do espetáculo e tomam postura decisiva no resultado. Com toda probidade, não há má intenção, sobram carência técnica e um tanto de vaidade. Apropriaram-se do VAR, utilizando o já falho protocolo, para se tornarem os personagens principais. Controlam o cronometro e a participação dos atletas, infelizmente, para pior. Não há mais jogo corrido. É tudo fragmentado, picado, interrompido. A bola para a cada instante e o futebol não se desenvolve, em processo sofrido de minutos perdidos em cada batida de falta, escanteio, onde eles advertem pela enésima vez os que se empurram. É imensamente lucrativo fazer cera.
Ricardo Marques, sábado, Palmeiras x Vasco, esmerou-se. Só a etapa inicial teve quase 10 minutos de interrupções, incluindo consulta ao VAR. Ele deu só 3 minutos de acréscimo, a beneficiar o infrator. Não é só o tempo perdido, é o hiato da dinâmica. O jogo perde sequência, os atletas se reposicionam defensivamente, prejudica o desenrolar. Na etapa final, Marques logrou se superar. Piorou. Houve mais de dez minutos de bola parada. Pior, ao dar escassos e impróprios 5 minutos de adição, nesse período ocorreram 3 interrupções grandes. Ele não levou em conta e ficou nos 5 minutos. Em suma, reduziu o espetáculo, prejudicou os assistentes que pagaram caro pelo ingresso, e foi solidário com o antijogo.
No domingo, Raphael Claus, Flamengo x Botafogo, além de colaborar com o “tempo perdido” de bola não rolando, cometeu erros avassaladores. Por ter dado cartão merecido a Gabigol, atleta que vive sempre à beira de ataque de nervos, omitiu-se claramente em lance onde o Gabriel insurgiu-se acintosamente contra a arbitragem e, depois do surto histérico, socou a bandeira de escanteio. Em qualquer circunstância, isso é amarelo, no mínimo. Com fobia por expulsá-lo, procedeu terna e suave admoestação. A manutenção de Gabigol gerou a derrota do Botafogo, pois ele, em boa fase técnica, cometeu o segundo gol, com classe, e deu o passe perfeito para Rafinha proceder a assistência a Bruno Henrique.

Ou seja, Clauss foi mais decisivo do que Gabigol. Além disso, e não menos importante, deixou de aplicar o segundo cartão amarelo em Rafinha, que também seria expulso, e, para brilhar intensamente, no primeiro tempo, ao exibir o amarelo, interrompeu ataque do Botafogo, prejudicando o alvinegro, quando poderia ter permitido que o jogo fluísse e o cartão viesse a seguir. Por ter se omitido no cartão de Gabriel, não o mostrou a Cícero do Botafogo que atingiu Bruno Henrique. Desgraça pouca é bobagem. ele foi um desastre: definitivo e decisivo. Enquanto isso, o ex-árbitro Gaciba prossegue inerte no comando da arbitragem, sem esboçar iniciativa contra o antijogo, que açambarcou o campeonato.
Vivemos uma autofagia, grave, do nosso outrora rico e admirável ludopédio. O juiz rouba a cena.
Como constata Oswald de Andrade no Manifesto Antropofágico, 1928, não temos um projeto de país. A nossa elite prefere ser submissa à cultura de fora. No futebol, somos um país sem respeito a nós mesmos.

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