PARA ONDE ESCAPAR?



Toda crise traz alguma vantagem, ainda que as desvantagens se sobreponham. Como estas são inevitáveis, melhor é aproveitar a recompensa das oportunidades ofertadas.

O coronavírus chegou mostrando que o futebol não é uma bolha onde muitos querem se albergar, tratando dele, todo dia, como se estivesse desconectado da vida corrente.

Dirigentes o administram como se fosse propriedade particular, tomando decisões que ofendem a lógica e o bom senso natural.

Jogos sem público na Capital e com assistência no Interior??? Louco. A lógica deve vir da relação com os clubes do Interior que sustentam politicamente a Federação Paulista. Esta, em vez de pensar grande, vincula-se a essas condições que só apequenam um campeonato por si só injustificável na forma como é disputado.

Alguns atletas e Renato Gaúcho estrilaram com a exposição ao vírus, porque eles são criaturas normais sujeitas aos mesmos riscos que as outras. Ok, estão certos. Só que, em campo, inúmeros atletas, que foram coagidos a atuar, poderiam ter cuidados próprios. Vários continuaram a assoar o nariz na mão e depois cumprimentar colegas, passar a mão no rosto dos outros, falar próximo do companheiro. Isso, eles não foram obrigados a fazer.

É que o complexo de “coitadinho”, profundo em nós, remete sempre à condição de reclamar dos direitos que nos são suprimidos, mas não assumir responsabilidade pelos deveres. Dos quais ninguém está isento, nem mesmo quem é forçado a jogar.

A CBF anunciou no meio da rodada a suspensão de competições nacionais, sem articular com as federações, deixando-as soltas e empurrando a responsabilidade para cada uma delas, em ação descoordenada, onde o que vale é posar de mocinho para a galera.

Parte da mídia compra essas espertezas e desatinos, ora se omitindo na crítica, ora simulando que não os enxerga, partindo para aquele mergulho no “mundinho do futebol” desvinculado da vida terrena.

Toda crise traz uma realidade: a dimensão dos protagonistas, das pessoas que têm cargos de direção e atuação relevantes e precisam tomar decisões. Podem ser estadistas ou medíocres. Há quem ignore o coronavírus, enquanto locais como Cingapura, Taiwan e Hong Kong dão exemplos de como proceder. Que se prepararam baseados na crise da SARS de 2003.

Imagine se o futebol pensa em usar crises anteriores. Ele vai agindo como um “primo milionário” que desconsidera haver a possibilidade de intempéries. A melhor forma de atuação dos dirigentes é deixar para as autoridades públicas as decisões, se escondendo atrás delas, como os presidentes de clubes que se dizem CONTRA o jogo com torcida única, mas argumentam que as autoridades apresentam números com poucas ocorrências. Claro, se você restringe o público, diminui a possibilidade. Sem torcida, não ocorrem brigas. Bingo!, que inteligência.

A obrigação, tanto da segurança privada dos clubes; como da pública, PM e polícia civil, é assegurar eventos sem prejuízo dos 99% que vão aos estádios e são civilizados. Hoje, estes pagam pelos trogloditas, numa inversão de mérito.

A oportunidade que o coronavírus proporciona é refletirmos, todos. Os dirigentes poderiam ser mais estadistas e menos medíocres.

É hora de termos uma saída. Para onde escapar dessa mediocridade vigente?

Eis a oportunidade. Lavemos as mãos e saneemos a cabeça. Ainda há chance.

 

 

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