O GOL E GIANNI INFANTINO - OPORTUNIDADE DO ILUMINISMO - BLOG JL PORTELLA

O GOL E GIANNI INFANTINO – OPORTUNIDADE DO ILUMINISMO



Gianni Infantino concedeu entrevista a Jamil Chade e suas palavras soaram positivas. Eu não diria alvissareiras, porque tenho com relação à FIFA profundo receio de frustração iminente.

A primeira atitude é torcer para que tenham concretude. Na carência de torcer, pelo momento grave, vamos direcionar essa energia para que Infantino caminhe da palavra à ação, mesmo sabendo que ele se ajusta àquele ditado italiano que nos adverte: Tra il dire e il fare,  c´è di mezzo, il mare”.

Infantino , até agora, forneceu exatamente essa visão de alguém que é simpático, gentil, fala aquilo que o outro quer ouvir, um relações públicas bem fornido de empresa. Depois, as palavras se perdem com o vento.

Por conta das circunstâncias, ele teria exatamente as condições de articular com as confederações aquilo que é essencial: um novo calendário.

O calendário funciona para o futebol como a corrente sanguínea para as células: é quem alimenta o sistema para mantê-lo vivo.

A unidade de valor do futebol é a partida, o jogo. Porém, ele não sobrevive isoladamente. Não se sustenta um modelo com jogos entre clubes desconectados entre si. O futebol é gregário como o ser humano.

A unidade de valor agregado no futebol é o campeonato, a disputa de um título que tenha um determinado significado para a sociedade. O calendário não só é o conjunto de campeonatos, como a articulação entre eles ao longo do tempo, de forma a otimizar o prazer da torcida com a variação devida das disputas, a renovação de esperanças dos que não venceram, como também a criação de diferentes tipos e instâncias de embates entre os clubes. É a eficiência combinada com a eficácia desse cronograma, do calendário em si, que provocam mais ou menos fascínio e alegrias no torcedor, base insubstituível do fomento do futebol.

Infantino não se moveu de forma assertiva, como um executivo que deseja, de fato, alcançar uma grande meta. Ele fez uma declaração de intenções, uma profissão de fé, sem assumir metas nem prazos. E é isso que distingue um gestor. Um gestor realmente interessado no resultado.

Se você deseja identificar um gestor basta verificar se após o enunciado do problema segue-se a meta, que é o objetivo colimado, o sonho quantificado; que tem prazo claro, porque há se ter comprometimento.

Meta é um objetivo com quantificação e prazo.

Quem não tem meta, não é gestor, tende a apregoar como um consultor, sem assumir o compromisso com o produto. Alguém que identifica o problema, sem se responsabilizar com a solução, deixando-a solta no ar, para indicar conhecimento, gerando elogios pela intenção, sem engajamento com a solução.

É assim que, infelizmente, enxergo Infantino, torcendo para que dessa vez  desminta minha expectativa.

Ele fez o movimento de visibilidade, sem agregar qualquer sinal de ação efetiva.

Articular o calendário mundial seria o passo crucial.

Não existe momento melhor do que esse. Interesses econômicos, patrocinadores, investidores, aqueles que funcionam normalmente como obstáculos para mudanças, mesmo que alvissareiras, seja pelo interesse particular, seja pelo medo da mudança, nesse instante, não só estão distantes de poder oferecer resistência, como, talvez, estejam torcendo para alguém assumir a liderança deste processo  de Iluminismo no futebol.

O futebol, que segundo um dirigente do comitê de esportes da Inglaterra vive em um vácuo moral, tem a maior oportunidade de sua história para se transformar organizacionalmente , oferecer mais felicidade ao torcedor e gerar mais emprego e renda. O futebol pode ser uma das saídas dessa crise.

Torço para que Infantino, deixe o discurso e faça o GOL.

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