NO BALANÇO DE LUXEMBURGO



Vanderlei Luxemburgo não é técnico superado, tampouco incompetente; também não é o estrategista que parte da imprensa pinta, nem profissional tão moderno como deveria. Está no meio do caminho, em momento de recuperação na carreira, sem ter conferido aquilo que prometeu quando chegou ao Palmeiras.

Em momento de radicalizações exacerbadas, onde nosso país se destaca, infelizmente, acentua-se nosso defeito de dar as coisas viés “espetaculoso”. Não olhamos nuances nem matizes, não enxergamos os tons cinzentos, só o branco e o negro.

Luxemburgo tem cometido erros a granel: na avaliação dos atletas; na escalação remetendo o time a padrão de jogo que não é o que ele prometeu, nem o desejado pela torcida. O fato do Paulistinha ser campeonato nível série B, esconde tais equívocos, que não são poucos. E que revelam “leitura de jogo” e “tomada de decisão” preocupantes.

No Vasco, o que ele fez foi suficiente para tirar uma nota 7, no Palmeiras, está com menos de 5. Insistiu por muito tempo com Lucas Lima, que perdeu a habilidade antiga, sabe-se lá o porquê, mas perdeu, e não tem mais apetite. Substituí-lo demorou muito. Então colocou Rafael Veiga que entrou melhor do que Lima pelo simples fato de mostrar mais vontade. Mas também não tem o futebol necessário para ser titular no Palmeiras. É inconsistente, com muitos erros nos passes, decisões açodadas, como demonstrou várias vezes contra o Santos. Acerta poucos chutes no gol, perde bolas com facilidade, gera contra-ataques.

Os acertos de Luxemburgo são mais correções dos próprios erros, como ao retirar Luiz Adriano, sem condições para ser centroavante; e Veiga trazendo Rony e Verón.

Luxemburgo escalou meio campo lento, com Zé Rafael, Veiga e Bruno Henrique, que não acionava o ataque. Rafael é lerdo, fominha, demora para decidir, prende a bola e comete faltas constantemente. Veiga, já falamos. Bruno é o melhor no passe, mas lento no desarme. Pode ser terceiro homem, nunca segundo volante. Sem alimentar o ataque, o meio-campo foi dominado no primeiro tempo pelo Santos de forma inaceitável. Erro do professor.

Na etapa final, ao se corrigir, não conseguiu que lançassem Rony corretamente, alguém que sabe entrar em diagonal como Gabriel Jesus fazia. Dudu não sabe, joga com bola no pé. Gabriel Menino não é lateral, toma bola nas costas, erra saídas de bola, ele é um bom segundo volante, chuta bem a gol, cruza melhor ainda, Luxemburgo não sabe explorar as qualidades e permite os defeitos. Zé Rafael sumiu em campo, e produziu nada. Viña é lateral que marca como Vítor Luís e não ataca como ele, ou seja, trocou-se 6 por meia dúzia, talvez, 6,5. O Palmeiras, se quiser ser campeão de algo importante, precisa urgentemente de meia-esquerda e centroavante com alta qualidade; um para pensar, dar cadência, chutar de longe com precisão, bater faltas, que é uma carência antiga. O outro, para marcar gols. William é bom pelas pontas, não brilha no comando do ataque. Luxemburgo é esperto, traz a lábia e a velocidade de raciocínio do vendedor de carros, da malandragem engenhosa. Terá seu grande teste na Argentina. Por enquanto, é mais saliva do que esperteza.

 

 

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