Lições e Desafios - BLOG JL PORTELLA

Lições e Desafios



O SANTOS

Santos, o Cisne Negro do Brasileirão, navega em águas claras. Entra em campo para, além da liderança, nos permitir algumas reflexões. São conquistas e desafios que nos provocam, nos encantam e inquietam em mares bravios de nossa Terra Natal.

Não é o dinheiro que faz, por si só, a diferença. São contratações acertadas e a montagem de um conjunto harmônico e eficaz. O Brasil prima por desprezar a cultura e o saber científico. Utiliza-os de forma indevida ou os menospreza. Aqui não se fez um estudo mais aprofundado, empírico, com rigor acadêmico sobre o tema. Mas se dá palpite. Na Inglaterra, sim; e lá se constatou que a montagem do time baseada apenas em potência financeira não conduz necessariamente a títulos.

O Santos repta e testa Palmeiras e Flamengo, os primos ricos. Que possuem elenco incomparavelmente mais caros e com um terço do campeonato disputado estão atrás. Além da grana tem algo a mais, a eficácia dos atletas santistas. Outro fator latente é a vontade explícita.

É preciso ter força, ter raça, ter gana sempre como canta Milton Nascimento. O Santos não para com 3, quer mais, vira 6, há um misto de sangue-nos-olhos com “alegria de jogar” que não se vê nos rivais. Terceira lição: o técnico tem que conquistar a torcida, se juntar a ela, fazê-la vibrar e sonhar, dar asas à paixão. Sampaoli se colocou em simbiose com os caiçaras, andando de bicicleta e frequentando a praia. Não é distante, nem arrogante. Nem bajulador, ele é verdadeiro, não aplica lições de procedimento. Contudo, sobram desafios para um time que não apontava na lista de favoritos da crônica especializada e, agora, lidera, com reconhecimento geral. Primeiro, manter o ritmo, a regularidade vitoriosa, sem elenco, numa longa disputa. Superar contusões, suspensões, oscilações. Vencer diretoria confusa, que no auge do time, arrosta o técnico vencedor. Contrata quem não cabe, ameaça perder quem é fundamental. Um paradoxo total, entre desempenho da direção e resultado em campo.

Por fim, e, talvez, o mais relevante, não se contaminar com a onda exacerbada de elogios dos analistas, que vão de extremo a outro com a volúpia do mercúrio dos termômetros. Ora ignora o Santos, ora o eleva a ser divinal. Não entrar de gaiato nesse navio. A inflação do ego é a estrada para o desastre.

O Santos, como Sampaoli, é o Cisne Negro do cenário, algo em que não se acreditava até se ver. Vamos enxergar o que ele significa de bom e ruim na trajetória do nosso mal administrado futebol. Thaís, Rafael e Felipe, jovens torcedores caiçaras, estão felizes:

O alvinegro virou a zebra mais instigante do campeonato.

 

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