CONTENTANDO-SE COM POUCO



O Flamengo colocou 16 pontos de vantagem sobre os segundo e terceiro colocados não só pelos respectivos méritos, inquestionáveis, mas, também, pelos deméritos de todos os rivais. Quando se faz um juízo de valor: o Flamengo foi muito melhor; o campeonato foi bom; o número de pontos alcançados por Palmeiras e Santos foi extraordinário; estamos comparando com alguma referência. O resultado comentado depende dessa referência.

Nós estamos nos contentando com pouco, muito pouco. Os sucessos do Flamengo, de Jorge Jesus e de Sampaoli não podem nos impedir de enxergar a falta de qualidade do conjunto. A ruindade do resto. Santos não teve elenco suficiente, patinou em certos jogos mesmo com a equipe titular e contou com erros devastadores da direção, instabilidade na permanência de dirigentes profissionais e diretoria. Palmeiras foi uma decepção, curiosamente não identificada a tempo pela imprensa. Scolari conseguiu fazer de um clube campeão, que gastou mais 140 milhões no elenco em 2019, um time mediano, fraco para os objetivos maiores que perseguia, Libertadores e Mundial, sem personalidade, sem determinação, sem alma. Um erro colossal que se inicia na direção, recebe a imensa e decisiva contribuição de Alexandre Mattos, alcançando os atletas. Alguns, por displicência e ausência absoluta de liderança e de força para enfrentar com imponência os momentos cruciais, aceitando derrotas com subalternidade; outros, pela carência técnica absoluta, incapazes para vestirem a camisa do Palmeiras. Grêmio estolou logo. A arrogância de Renato e a autossuficiência embalada foram maiores do que a competência, que existe. Em muitas ocasiões atuou desnecessariamente com a equipe alternativa, quando conquistou 38% dos pontos disputados. Foi um “harakiri” consciente, sustentado pela esperteza de se achar soberano nos mata-matas. Além disso, jogou mal com a equipe titular várias vezes. Do São Paulo, Corinthians e Internacional nem é preciso falar. Tiveram futebol no nível da mediocridade, com Fernando Diniz, Carille e tudo o mais. O tricolor contratou para ser campeão. Daí a onde chegou está a distância do futebol que exibiu. Do resto não cabe considerar, com exceção do Athletico que foi bem.

Temos outra jabuticaba: um campeonato em que quatro caem, dois, Ceará e Botafogo, ficam no limbo e o resto se classifica para alguma coisa. Incrível! E, com a colaboração da Conmebol, quase todos estão na Libertadores ou Sul-Americana, pela lassidão dos critérios de classificação ocasionando campeonatos débeis e atrativos só nas fases decisivas. É a veia aberta das vísceras sul-americanas. Piada!

O nível técnico do campeonato foi bastante baixo, a forma de utilização do protocolo do VAR, à brasileira, com os árbitros se eximindo de responsabilidade além de imenso tempo para as decisões. Um desastre. Cruzeiro protagonizou o vexame-símbolo da irresponsabilidade de dirigentes, com apoio da CBF e FMF.

Ficar mirando o espelho de Flamengo, Jesus e Sampaoli é tarefa diversionista, bem a gosto dos “pachecos” e “velhinhas de Taubaté” da mídia, a procurar a adular fontes ou realizar o jogo do contente. São “Alices no País das Maravilhas Fake News”, “maravilhas” construídas na base de números que não representam nada, dados sem o protocolo científico da ciência estatística. Uma sopa de algarismos feita no caldo que se deseja: “Me engana que eu gosto”. Eu não gosto.

Os balanços do campeonato e do futebol brasileiro são bem fracos e preocupantes, ressalvadas as exceções que brilharam em céu opaco.

Está na hora de exigirmos que o nosso futebol seja a quarta ou quinta vitrine do mundo, admirado lá fora como há muito não é mais. É uma questão de atitude. E de padrão de exigência.

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