BOLA PARADA - BLOG JL PORTELLA

BOLA PARADA



Dos 40min aos 45 min do x tempo, no jogo Corinthians x Grêmio, a bola não rolou sequer um minuto. Primeiro foi o absurdo e desrespeitoso tempo parado diante da falta para o Internacional, com atletas de ambos os lados reclamando vergonhosamente, confusão diante da nova distância regulamentar junto à barreira, e a intervenção nas altercações entre os jogadores com a espantosa complacência do árbitro, experiente e conivente.

A cobrança da falta que deu origem ao primeiro gol do Internacional(x Cruzeiro) demorou 2min30s, com a mesma lenga-lenga, cometendo o juiz papel de bobo, advertindo atletas infinitas vezes sobre normas que eles sabem de cor. Cem mil vezes são avisados dos agarrões na área.
Ou seja, a arbitragem, tanto no Velha Comando como no Novo, segue contribuído eficazmente para subtrair tempo do espetáculo, agredindo o direito do torcedor; irritando os espectadores na TV, prejudicando quem financia a transmissão, roubando graça da partida de futebol. A CBF permanece silente e Gaciba, em que apostava muito, inerte, observando a destruição da beleza do evento, e atuando totalmente na direção antimercado, em momento em que se valoriza o profissionalismo e a modernidade.

Ver um jogo no Brasil e outro na Inglaterra é exercício de masoquismo puro. Além da qualidade técnica, da velocidade das jogadas, o cuidado para que a partida se transforme em espetáculo tem diferença abissal, infelizmente para nosso opróbrio. Somos humilhados permanentemente. E a conivência com tal estado de coisa não se restringe à flacidez dos árbitros, só acontece porque o conjunto dos interessados no futebol, os “stakeholders” assim transigem. Todos somos culpados, quem financia deveria cobrar “mais jogo”, “mais bola rolando”, quem analisa e critica também. Todavia, o conformismo é esporte nacional, a inação se impõe, para depois se transformar em agressão desmesurada nas redes sociais, inútil e descabida. O Brasil joga o jogo do “Feito Para Não Fazer”, tudo se une para impedir que o sucesso e o brilho despontem.

Em toda a rodada, o tempo perdido nas cobranças de falta, na reposição da bola, na overdose de atletas se atirando ao chão e fingindo contusões ridículas, na interferência demasiada dos técnicos desejando apitar o prélio, toma um tempo devastador que destrói o prazer da assistência. E o resultado, embora muitos se neguem a enxergar, é o afastamento cada vez maior do torcedor potencial. O mundo dos interessados pelo futebol é cada menor e nós mantemos a visão obnubilada porque habitamos a bolha dos fanáticos. E pensamos que ela é inelástica. Cegos. Sobra Fernando Pessoa: Não basta abrir a janela; Para ver os campos e o rio; Não é bastante não ser cego; Para ver as árvores e as flores; É preciso também não ter filosofia nenhuma.

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