A FIFA NÃO TEM MUNDIAL



Como se vê, a FIFA organiza o Mundial com baixa qualidade e, por consequência, com pouca atratividade. Só o jogo Liverpool x Flamengo vale a pena assistir. Ambos são favoritos nas semifinais, porém, se o Liverpool perder, o Flamengo terá sua tarefa facilitada, e nós, uma final sem graça.

Todas as outras partidas antecedentes com Hienghène Sport da Nova Caledônia, time da casa, campeões da África e Ásia, não despertam qualquer atenção e são jogos bem fracos, ainda que tenham alguns jogadores com qualidade técnica.

A lotação dos estádios é comprovação. Por que a FIFA comete tamanha incompetência? Só o somatório de interesses políticos aliados à incompetência organizacional justifica. Tudo plasmado por uma entidade que se descobriu para o negócio, para o “business”, para o marketing, nos tempos de Havelange, cresceu ancorada no apoio de Confederações e países com pouca expressão, mas detentores de votos, e depois de se meter em tantas confusões como a da Copa da França de 1998, perdeu-se totalmente.

Os mundiais de outrora, por vezes não reconhecidos pela FIFA, eram mais emocionantes e glamurosos. O pior, é que o modelo preconizado, a ser detalhado, com 24 times, não resolve o problema da qualidade. Ao contrário, o aprofunda ao criar lapso de tempo que dificulta a escolha de times realmente capazes, pelo intervalo entre a obtenção da conquista para a classificação e o momento do mundial em si. Times da América do Sul, sobretudo, se desfazem facilmente, alguns em intervalo de seis meses. Alguns clubes da Europa também perdem potência. Por conta desse viés de incompetência e as mudanças que são efetuadas, não se pode desejar que os Mundiais tenham uma mesma classificação de valor, só porque recebem ou não a chancela da FIFA. Aliás, a entidade resvala em interpretações múltiplas, que mudam conforme o vento e o momento, ora reconhecendo algo, ora, não; por vezes lançando no site oficial, em outras se manifestando por via epistolar. É uma desorganização absoluta, em que muitos embarcam. Não há lógica em se considerar o Flamengo campeão Brasileiro em 1987 e não o Palmeiras em 1951. O Flamengo foi campeão de fato, tenho convicção, por todas as circunstâncias que envolveram aquele campeonato. Só que a CBF e a Justiça registraram o Sport como vencedor. Para quem considerou o Flamengo campeão, valeram os fatos, não a oficialização. Em 1951, também pelas circunstâncias, entre elas a realização da Copa do Mundo de 1950, o Palmeiras se sagrou campeão de torneio que teve reconhecimento de mundial interclubes. A FIFA, que não organizava nada, e ainda hoje não o faz direito, não o oficializou. Há quem considere o Flamengo campeão e o Palmeiras não, pela falta de oficialização, sendo que a FIFA considerou um torneio fora de época, em janeiro de 2000, com clubes europeus obrigados a comparecer, e latas de cerveja nas praias exibindo a importância que deram. Vale ou não a “oficialização”?

Outro aspecto desse fetiche que encerra o Mundial é a importância dada pelos europeus. É fato que eles não desconsideram o Mundial totalmente, mas está muito distante da realidade a afirmação de que o tem em elevada conta. Basta a manchete que a Folha de SP exibiu há poucos dias sobre a chegada da delegação do Liverpool para enfrentar o Flamengo em 1981: “Chegaram bêbados”. Se ganhar, ótimo, desfilam com a taça. Se não vencerem, seguem tranquilos para seus campeonatos nacionais.  Isso não retira o valor do Mundial, mas, também não permite que se exagere.

Para nós, filhos do desterro, com complexo de vira-latas, vale muito. Todos queremos ser campeões.

 

 

Comments

comments



MaisRecentes

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO FUTEBOL – DO VÁCUO MORAL AO VÁCUO INSTITUCIONAL



Continue Lendo

O GOL E GIANNI INFANTINO – OPORTUNIDADE DO ILUMINISMO



Continue Lendo

GRANDE TRANSFORMAÇÃO



Continue Lendo