DEU PRA TI! TITE DEVE SAIR. - BLOG JL PORTELLA

DEU PRA TI! TITE DEVE SAIR.



Ainda que vença a Argentina, mesmo que seja campeão, Tite deve sair.

No caso, cumpriria, com alguma taça, a passagem pela Seleção. Assim como é necessário um tempo mínimo para um treinador executar seu trabalho, também há um período máximo que se enuncia, exatamente como ocorre, agora, com ele. Independentemente de resultados, sente-se quando o técnico perde a força e o encanto, quando lhe falta tração para propiciar algo novo, grandioso e excelente.
Tite perdeu-se na proposta, no discurso, na atitude. Em vez de mudar a CBF, entrou em simbiose e subsumiu-se.
Esta coluna está sendo escrita antes do sensacional prélio contra a Argentina, que, em qualquer circunstância, é um dos maiores clássicos do mundo. Talvez, o maior.

Se Tite triunfar, terá concluído uma etapa que se iniciou promissora com a bela classificação para a Copa na Rússia. Recebeu o time em risco; prosseguiu elevando a esperança do país, em parte, com discurso evangelizador do futebol; e aportou em frustração imensa, não pelo adversário, que teve méritos, mas pela forma com que ele sucumbiu-se, perdido diante da mudança tática da Bélgica. Foi sua segunda derrota, mas fatal. Na Copa, antes, a Seleção não convencera, com futebol previsível e sem brilho.
Tite é minimalista. Treina sempre igual (Carille herdou a mesmice), forma times que são a repetição de si mesmos e não traz nada novo. Aí, quando precisa, não sabe sair da armadilha.
No fundo, Tite fez de si o que não era. No momento em que tinha que ser, não foi. Burlou a expectativa.  Ao ser mantido no cargo, abriu mão de criatividade e da inovação. Preferiu ter uma seleção de amigos, com o perfil de ovelhinhas( as ovelhinhas de Tite do Grêmio), a trazer arcabouço técnico e tático diverso, dando vazão a novos valores.

Conservador profundo, Tite descartou a ousadia pelo que lhe parecia seguro e sem desafios. Deixou-se dominar pelas manhas e caprichos de Neymar, buscou sempre contornar os problemas para, como dizem seus conterrâneos, “costear o alambrado”, sair pelas beiradas, para não enfrentar o repto.
Ao optar pela acomodação e o clube de amigos, sacou do horizonte o brilho maior, difícil, mas portentoso. Preferiu ser mais um, a trilhar saga que retornasse o Brasil à verdadeira dimensão que tem, que deveria ter, que já não possui.
Ele está na Seleção há três anos. Desde junho de 2016. Chegou com um beijo perverso(em Del Nero), mas dotado de conquistas para tentar superar o ósculo. Porém,rumou para baixo do palco, incorporando, aos poucos, uma fala pretensiosa e esquisita, misturando “oportunizar” com “atacante agudo”, numa polifonia estranha, de um personagem que se julga redentor, contudo, sem cicatrizar o espírito eivado de incertezas e de tradicionalismo arcaico.
Tite abriu mão do idealismo para pegar, com força, no braço do comum, em todos os campos de ação. Seu rosto inerte, a princípio, no cotejo contra a Bélgica, diante da alteração do técnico adversário, foi a marca que ficou, perdurou, e da qual ele não logrou mais se desvencilhar. Grudou-se lhe ao rosto.
Tite teve sua oportunidade. Que a aproveite da melhor forma e saia por cima, com glória. Que vença a Argentina, que nos faz bem; que suba no pódio. Mas, que perceba o esgotamento do tempo.
Tudo tem seu tempo. O dele foi-se com uma seleção que não aponta para 2022. A entropia o carregou.

“Ele faz tudo sempre igual e todo dia nos acorda com a mesma formação. Eu só penso em poder parar. Está na hora de dizer não!”.

É tempo de algo moderno, estimulador e emergente. E o novo técnico precisa de tempo para se consolidar , o mesmo que Tite utilizou.

Para 2022, Temos que começar agora. Renato, provavelmente, seria a solução.

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