Futebol Feminino vale a pena? - incentivando_esportes

Futebol Feminino vale a pena?



Entrevista de Líbia Macedo

O artigo de hoje surgiu após o evento – Brasil Futebol EXPO, organizado pela CBF em setembro. O papo foi com Mônica Esperidião, ex aluna do MBA de Gestão Esportiva/Real Madrid-AM e de lá mesmo já saiu como responsável pelo Marketing Esportivo da VIVO, onde estabeleceu estratégia de patrocínios da empresa, coordenou projetos durante os Mundiais de 2010 e 2014 até garantir a renegociação do contrato de patrocínio entre Vivo e CBF mesmo depois do 7X1. Hoje vive em Madrid e criou a Women Experience Sports que tem como propósito colaborar com a profissionalização da indústria esportiva, buscando sempre o equilíbrio e promovendo a diversidade como forma de amadurecimento do nosso setor.

LM) Sua palestra “Como eu convenço meu chefe a patrocinar o futebol feminino?” Afinal, qual a resposta?

ME) Entendo que o futebol feminino desde 2015 vem demonstrando que também tem valores que podem ser atrelados aos de uma marca. E em 2019, me atreveria dizer ao meu chefe: Senão entrarmos nessa, porque nossos valores não estão intimamente em linha com o futebol feminino, entramos porque queremos protagonizar essa história, agora se não fomos os primeiros, melhor correr, para não sermos os únicos a ficar de fora. 

LM) Porque esse grande boom do Futebol Feminino na Copa da França?

ME)Porque a FIFA vem trabalhando com todas as partes interessadas (federações, patrocinadores, jogadores, associações) fortemente desde que implantou a reforma depois da crise de 2015, alinhados ao ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, traçados na Agenda 2030, onde o Comitê de Reforma garantiu a implantação em 2018 do Plano Estratégico de Futebol Feminino, com 3 objetivos: Aumentar a participação, Potencializar o valor comercial e Construir a fundação.

LM) De 52 técnicos de times do Brasileirão de futebol feminino- A1 e A2, temos somente 9 técnicas. Porque será?

ME) Eu entenderia primeiro quantas mulheres estão se preparando ou preparadas para esses postos, não sei esse número, mas o que sei é que o início tardio da mulher no futebol retardou o interesse das mesmas em se enxergarem profissionais do meio, por isso criamos a WES, para dar voz e visibilidade às mulheres que estão hoje no mercado para que inspirem as novas gerações a trilharem esse caminho, se é algo que elas são apaixonadas.

LM)Das 20 equipes que disputam a Série A-2019, somente 7 já mantinham equipes femininas. A obrigatoriedade de times femininos vai ajudar no crescimento do futebol feminino ou é cota?

ME) Com certeza vai ajudar, eu vejo como uma “oportunidade necessária”. Essa medida agilizará a profissionalização dos times de futebol feminino, considerando o investimento dos clubes e assim os times femininos se beneficiam também da marca desse clube para se promover, e com a base bem estabelecida podemos partir para o formato não mais obrigatório, mas com algumas ações de incentivo a quem estiver realizando um bom trabalho com o futebol feminino. É uma medida provisória, até que os clubes notem que valeu a pena ter aproveitado a tal oportunidade necessária.

Libia Macedo é professora, consultora e pesquisadora do ambiente esportivo e colaboradora do Incentivando Esportes

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FOTO: CBF/Divulgação

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