Outro Mogi Mirim - incentivando_esportes

Outro Mogi Mirim



Por Paulo Amorim

Em dezembro de 2017, no meu segundo mês de trabalho no Figueirense, eu disse ao meu contratante que, do jeito que as coisas estavam indo, no meu último dia de contrato deixaria uma camisa do Mogi Mirim pendurada na trave antes de voltar para o escritório de São Paulo. Já tinha visto aquele filme antes. Ele riu e disse que estávamos ali para que mudanças fossem feitas e nada daquilo poderia acontecer ao Furacão. Ele foi um dos primeiros a ser mandando embora pela diretoria que destruiu e deixou na amargura o Figueirense dos dias de hoje. O time catarinense vive exatamente a mesma conjuntura do Mogi Mirim Esporte Clube quando foi rebaixado para a série D em 2017 após um WO para o Ypiranga enquanto estava na série C.

Tive a honra de trabalhar no time paulista enquanto ainda estava na primeira divisão do Campeonato Paulista e na Série B do Brasileirão. Já no Figueirense, eu ainda consegui terminar o Campeonato Catarinense, conforme meu objetivo, e também executar boa parte do meu cronograma de trabalho. Porém, não consegui deixar a camisa do Mogi na trave do campo porque o Figueira não me pagou os salários em contrato e não quis gastar mais uma passagem de avião para ir até lá só para isso… Mas o aviso havia sido dado e os fatos que ocorreram recentemente mostram que eu não estava errado. Então, por que mesmo assim virou um Mogi Mirim? Pelas mesmas razões!

Começa pela falta de profissionalismo na liderança do projeto. No topo, não existem pessoas preparadas para gerir um projeto de grandes dimensões e formato. São pessoas de outras áreas, com outras capacidades, que não sabem nada sobre como administrar um clube de futebol. Depois vem o segundo erro, não entender qual é exatamente os seus lugares na estrutura. Preferem o campo ao invés do escritório e é neste momento que tudo começa a desmoronar.

Como todo mal gestor, a parte financeira fica completamente descontrolada e desorganizada e do dia para a noite isso vira uma bola de neve. As histórias começam na mídia e logo ninguém sabe mais o que é verdade e o que é mentira. Resumindo: incompetência, má gestão e ego. Mas até aí, o problema é do conselho e de quem não recebeu as faturas emitidas. Mas será? Mas e no caso do Figueirense onde os jogadores não aparecem para jogar por conta de atraso dos salários. Quem sofre com isso? Pois é, no final das contas, quem paga a conta é o torcedor, esta é que é a verdade que ninguém reconhece.

Mas a culpa não é do presidente do clube, do diretor financeiro, diretor de marketing ou do diretor de futebol, muito menos do conselho. A culpa é da Federação e da Confederação, que não regulariza e não controla esse tipo de situação de forma rigorosa para que não chegue neste ponto. É papel das Federações cuidar dos clubes como patrimônios, mesmo que eles próprios não consigam se autorregular. Deveriam haver mais regras e controles, penalizações e incentivos para que os clubes não façam o que bem entendam com os seus patrimônios e com a sua gestão.

Depois o filho do torcedor brasileiro começa a torcer para times europeus e até norte-americanos por causa dos jogos de video game e das transmissões em canal fechado ou streaming e reclamamos que a nova geração não se interessa em ir aos estádios… O problema está no escritório, não no estádio, entende?

Paulo Amorim é especialista em marketing esportivo e colunista da Incentivando Esportes

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FOTO: Reprodução Facebook @figueirensefc

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