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Conteúdo e tecnologia no esporte



Texto Paulo Amorim

Quando comecei trabalhando no marketing de clubes, sem querer acabei criando uma metodologia, que hoje chamo dos Doze Pilares do Marketing Esportivo. Quando entrei no departamento do XV de Novembro de Piracicaba, meu primeiro clube aqui no Brasil como diretor adjunto de marketing, eram apenas seis pilares; ele foram aumentando conforme fui aprendendo e o mercado evoluindo, e também coisas novas foram aparecendo. Na verdade, estes pilares são temas, ou até mesmo departamentos dentro do marketing que devem ser abordados e cuidados de forma separada.

Mas o fato é que todos estes temas sustentam o mais importante de tudo dentro do marketing: o conteúdo! Por isso que chamo todos estes temas de pilares, porque acabam sendo a sustentação do conteúdo que o departamento de marketing cria. A mensagem pode ser tão simples quanto a divulgação do próximo jogo, mas envolve vários pilares para a sua sustentação: assessoria de imprensa, redes sociais, torcedor, bilheteria, programa de sócios e até mesmo a transmissão.

O conteúdo é a informação que o clube quer passar para o torcedor e mercado. O que os clubes por vezes não entendem é o valor desse conteúdo. Sempre pensamos no valor da transmissão do jogo sendo o conteúdo mais importante e relevante; e de fato é, mas hoje em dia, vemos clubes em mercado mais avançados explorando outros conteúdos de forma muito interessante e transformando conteúdos corriqueiros em algo extraordinário. Com as novas tecnologias de OTT (Over The Top), ou streaming, APPs ou mesmo canais online, os clubes podem criar seus próprios canais e distribuir estes conteúdos, inclusive cobrando e rentabilizando a plataforma de distribuição (mídia) escolhida.

A Juventus de Torino, por exemplo, tem uma série na Netflix chamada Prima Scuadra, que mostra a toda a temporada, desde a pré-temporada até o último jogo, com cenas inéditas de bastidores de treino, conversas entre jogadores, áreas do clube que não são mostradas normalmente, e coisas que dão todo um novo enredo e imagem do como foi viver o dia a dia da Juventus naquele ano.

Os canais de YouTube dos Clubes brasileiros estão começando, alguns muito bons, diga-se de passagem, mas não se sustentam. Este conteúdo é muito bom para não ser mais valorizado e aproveitado de outra forma que possa ser mais rentável. Por que não existe uma série sobre os bastidores últimos jogos decisivos da Copa do Brasil por exemplo, valorizando os patrocinadores do campeonato e deixando o conteúdo final a cargo do time ganhador para incluir o seu material e finalizar o projeto à quatro mãos?

Ainda se desdenha muito o conteúdo fora dos 90 minutos. Eu entendo que antes não havia nem como mostrar (distribuir), mas hoje esta barreira já está superada e a velha desculpa dos clubes de não terem dinheiro para investir nestes projetos não cola porque se forem realmente escutar o que os patrocinadores verdadeiramente desejam hoje é exatamente este envolvimento real que faz a diferença e não só a exposição de marca no uniforme por 90 minutos.

Eu sei que dá trabalho, mas faz parte da evolução do marketing esportivo, e os clubes vão ter que criar estrutura para atender esta nova realidade e demanda do mercado se quiserem “continuar” a prestar um bom serviço aos seus patrocinadores… se é que me entendem.

Paulo Amorim é especialista em marketing esportivo e colunista da Incentivando Esportes

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