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Futebol feminino – Tu és responsável pelo que cativas



Texto Líbia Macedo

A Copa do Mundo de Futebol Feminino da França acabou e aparece como um divisor de águas, por n motivos. Muitos puderam assistir a um jogo feminino pela primeira vez e viram que tem qualidade, grandes defesas e dribles, tem audiência*, tem craques hetero e homossexuais que além de jogar também lutam por igualdade de salário e oportunidades em patrocínio, premiações e em políticas públicas.

Tivemos narrações personalizadas, evitando comparações com o futebol masculino, sem o estigma focado no aspecto estético. Primeira Copa com trios de arbitragem feminino, onde premiação da FIFA teve um valor maior e marcas como Nike e Adidas premiaram com o mesmo valor que pagam aos times masculinos, além de uniformes específicos para as jogadoras. Algumas empresas liberaram seus funcionários em dias de jogos do Brasil e foi assunto de rodinhas de mídias específicas e gerais.

Após uma semana que a Copa acabou, poucas notícias sobre as campeãs americanas e o discurso inflamado de Rapinoe em NY foi mencionado nas editorias esportivas e nas outras quase nada ou nada de comentários sobre o futebol feminino. A Band, que este ano firmou acordo com a CBF para transmitir o Campeonato Brasileiro Feminino série A1 e A2, não tem informações em seu site nem explora isso nas divulgações do canal.

No site da CBF nas abas seleção e futebol brasileironão tem alusão ao futebol feminino (seleção ou times), será que o futebol feminino não faz parte disso?** Na comissão técnica, uma indefinição, pois a CBF não divulgou oficialmente sobre a permanência de Vadão com gestão conturbada e morna e há uma especulação sobre a vinda de Sundhage, técnica sueca bicampeã olímpica. A seleção feminina já está classificada para as Olimpíadas de 2020, mas em setembro temos convocação para os amistosos data FIFA e nosso time demonstra que está na fase de renovação e seria uma ótima oportunidade de iniciar esse trabalho.

Após essa mega exposição do produto futebol feminino, é preciso um trabalho contínuo, com divulgação para que as pessoas acompanhem, torçam e idolatrem jogadoras; a qualidade desse produto precisa de diversidade de times, campeonatos sólidos, trabalho longitudinal estruturado na seleção, investimentos em equipes de base e oportunidades de prática.

Esta semana, num breve levantamento em 6 renomadas escolinhas de futebol de SP, todas informaram que somente existem aulas com grupos mistos independente de idade e dizem que não tem turmas femininas, pois não tem número suficiente para tal. Não que jogar em grupos mistos seja um problema, mas afeta em questões de performance e competição lá na frente. Será que essas garotinhas que trocaram figurinhas e que acabaram com estoques de camisas da seleção nas lojas, estão sendo levadas por seus pais para praticarem?

Já que essa Copa icônica aconteceu na França, aproveito a frase de Exupéry, no Pequeno Príncipe: Tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas. O futebol feminino precisa ser cativado pelos pais, escolas, educadores, clubes, times, mídia, marcas, federações, por que senão será somente uma recordação de uma Copa do Mundo especial, mas que não reverteu efetivamente em nada para o futuro do futebol feminino brasileiro.

Bora cativar!

Libia Macedo é professora, consultora e pesquisadora do ambiente esportivo e colaboradora do Incentivando Esportes

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Photo by Mica Asato from Pexels

*Kantar Ibope, Globo 101,1 milhões de brasileiros com a transmissão (4 jogos do Brasil e final), equivale quase 50% da população do país sintonizou pelo menos 15 minutos em uma partida

**sites acessados dia 15 de julho

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