Liberté, Égalité, Fraternité e o futebol feminino - incentivando_esportes

Liberté, Égalité, Fraternité e o futebol feminino



Texto Líbia Macedo

A frase “Liberté, Égalité, Fraternité” foi slogan da Revolução Francesa no séc. XVIII, em prol de uma democracia liberal e fim de um governo opressor, impactando o mundo e trazendo um regime democrático quando os franceses se rebelaram contra Luís XVI, utilizando a força das palavras Liberdade, Igualdade, Fraternidade para o governo e na Constituição do país. Essa mesma França, em 2019, é palco da 8ª Copa do Mundo Feminina de Futebol e diferentemente das outras edições tem um “Q” de revolucionária.

O futebol sempre foi visto como esporte masculino, meninas faziam outras brincadeiras na rua, mas jamais jogavam as “peladas” e nunca ganhavam bola de presente, e sim bonecas e mesmo arrancando a cabeça delas para jogar, eram proibidas por lei: Alemanha, Inglaterra e França até 1970 e Brasil até 1979. Estamos falando de décadas de atraso de estímulo pelo governo, família e de prática na escola e clubes.

Sem Liberté de jogar o futebol, não temos times, tão pouco competições, impactando na qualidade, interesse da mídia e ficamos sem o produto. Sabemos que liberdade não se conquista instantaneamente, e sim através de um processo. Para tal, é necessário que um exército de pessoas estejam engajadas no mesmo propósito.

A Fraternité da Revolução Francesa referia-se a unir todos que lutavam pela liberdade e igualdade. No futebol feminino, também precisamos de todos, não só ativistas, mas de federações, clubes, escolas, árbitros, patrocinadores, mídia e fãs. De que adianta mandar equipe para a cobertura da Copa e não dar espaço na sua grade de programação cotidiana? E o torcedor, vai assistir jogos do campeonato feminino pós Copa? A Copa Feminina veio 60 anos depois da masculina, nesse hiato, mudanças fora e dentro de campo ocorreram, rompendo barreiras.

O Égalité focava em leis iguais para todos, sem distinções; já no futebol feminino, a igualdade tão sonhada parece explodir nesta Copa da França, mas é parte de uma construção contínua, haja visto um plano específico da FIFA em 2018 ou através de pioneiras e “Ídalas” como Marta, que conquistam títulos e com esses feitos começam a reverberar e fortalecer a causa, aliás ela como porta-voz da ONU e também liderando um protesto contra oferta abaixo de valores de patrocínio para chuteiras #goequal.

Aliás, mais do que igualdade, hoje a busca é por equidade, onde igualdade trata todos como iguais, padronizando a forma, já na equidade é a oportunidade igual, independente de gênero, o que se quer é algo mais plural, com equilíbrio e mesmas vantagens. De novo, isso vem sendo construído e precisa se fortalecer no futebol feminino. Novos tempos pedem uma mudança no esquema tático dessa revolução feminina no futebol feminino, com cada vez mais Liberté, uma verdadeira Fraternitè e agora numa efetiva Équité.

Libia Macedo é professora, consultora e pesquisadora do ambiente esportivo e colaboradora do Incentivando Esportes

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