NFL: polêmica de Kaepernick em hino nacional se espalha pelo país



 

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A temporada da NFL começou quinta-feira com um jogaço. Na reedição do último Superbowl, o Denver Broncos bateu o Carolina Panthers por 21 a 20 em um jogo emocionante, decidido nos últimos instantes com um erro de field gol por parte dos Panthers. A primeira rodada segue neste domingo. Mesmo assim, o assunto do momento não é a ausência de Tom Brady (suspenso de quatro jogos pelo escândalo das bolas murchas, o Deflategate) ou de Peyton Maning (que se aposentou após a vitória no último Superbowl).

O novo campeonato inicia com uma polêmica que só tem aumentado.  Tudo começou quando Colin Kaepernick, o quarterback do San Francisco 49ers, surgiu em num treinamento usando uma meia que ironizava e criticava os policiais americanos.  Estampada com porcos vestidos de policiais, a meia chamou a atenção. Depois, no jogo de pré-temporada entre 49ers e Green Bay Packers, Kaerpenick ficou sentado durante a execução do hino nacional. Para os nacionalistas americanos, um acinte. “Não vou me levantar e mostrar orgulho à bandeira de um país que oprime os negros e pessoas de cor”, disse o jogador, tocando numa ferida americana que não cicatriza, o racismo e a delicada relação entre polícia, autoridade e negros ou minorias.

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A questão foi parar até em Barack Obama. Em visita à China, o presidente americano foi perguntado sobre o que achava da postura de Kaerpernick. “Meu entendimento é que ele está exercendo seu direito constitucional de se posicionar”.

Desde então, a polêmica só aumenta. Colin teve seu nacionalismo contestado por diversas entidades e personalidades. O departamento de Polícia de Santa Clara, por exemplo, ameaçou fazer um boicote e não trabalhar nas partidas no Levi’s Stadium, onde o São Francisco manda seus jogos. Mas ele também recebeu apoio de outros jogadores e de boa parte dos fãs.  O assunto repercutiu no mercado. A camisa oficial do quarterback do 49ers, que custa US$ 99 (cerca de R$ 330) saltou da vigésima para a primeira posição em vendas de toda a NFL. O jogador, cujo salário anual é de US$ 11,9 milhões (cerca de R$ 39 milhões), disse que pretende doar para entidades carentes sua parte nos lucros pelo aumento das vendas.

O problema maior é que o protesto de Kaerpenick começa a se espalhar pela Liga. No jogo de abertura da temporada, na última quinta, Brandon Marshall seguiu o gesto e também não se levantou durante a execução do hino. Foi bombardeado.  “Sou contra a injustiça social. Não sou contra os militares, a polícia ou a América. Sou contra a injustiça social e nesse ponto há muita coisa errada na nossa sociedade”, explicou. A consequência não demorou. Dias depois o linebacker do Denver perdeu o patrocínio da Air Academy Federal Credit Union. O presidente da empresa disse que a companhia respeita “o direito de expressão de Brandon”, mas que ele não seria mais um patrocinado e porta-voz da empresa.

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Com o seguimento da primeira rodada neste domingo, justamente no aniversário de 15 anos dos atentados de 11 de setembro, são esperadas muitas manifestações favoráveis aos militares, policiais, bombeiros e autoridades. E como serão os protestos? E como serão às reações aos protestos? Nesse imbróglio todo, como dizem os americanos, estamos apenas no kick-off (pontapé inicial dos jogos).



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