Copa do Mundo com 48 seleções é banalização do torneio



Panini

 

A decisão da Fifa de aumentar o número de participantes na Copa do Mundo de 2026 para 48 seleções é um equívoco. Por mais que se tente justificar os novos tempos e a amplitude do futebol, o discurso não cola. O argumento do presidente Gianni Infantino de que esse é o futebol do século 21 é balela. Claro que é uma decisão puramente econômica. Mais seleções, mais dinheiro para todos os envolvidos. Ou quase todos. Direitos de transmissão mais caros, mais jogos,  mais anunciantes, maiores cotas, maior infraestrutura, mais estádios… E mais propinas, claro! No final das contas, mais dinheiro e poder para a Fifa.

Mas e a questão esportiva? Copa do Mundo sempre foi o suprassumo do futebol. Desde a periodicidade até a participação na fase final do torneio, tudo é (ou era) mágico. O mundo espera quatro anos para ver os maiores e melhores em campo. Classificar-se para uma Copa é motivo de orgulho para muitas seleções pequenas e médias. É um triunfo, uma honra. E como toda honraria, deveria ser retsrita a poucos. Transformar essa participação em carne de vaca é um retrocesso. Ou seja, daqui a pouco serão 64 seleções. E depois? A Copa do Mundo quer se igualar à Copa SP de Futebol Júnior?! Daqui a pouco a senhora Fifa decide que a Copa será jogada de dois em dois anos e vamos aceitar?!

Sou do tempo em que apenas conseguir participar de uma Copa já era um tremendo feito. Lembro-me, garoto ainda, da Copa de 1978. Eram apenas 16 seleções. Um dos grupos tinha Itália, França, Hungria e a anfitriã, Argentina. Uma pedreira completa desde o primeiro jogo. OK, o mundo mudou, fomos a 24 e depois 32, que considero um número justo e correto. Mas levar a 48 é banalizar a Copa. E isso sem falar nas dificuldades práticas como logística complexa, necessidade de uma infraestrutura gigantesca. Aí chegamos a outro ponto. Antigamente a Copa do Mundo podia ser realizada até em países menores, como já aconteceu com Suíça, Chile etc.. Mas e agora? Quais países possuem 48 CTs, hotelaria necessária, estádios e transportes para tudo isso? Seremos obrigados a ter Copas divididas em dois países, como foi em 2002 com Japão e Coréia do Sul? Não que seja ruim, mas é uma descaracterização da história e do que sempre foi.  Resumo da ópera: Copa com 48 seleções é banalização do torneio.

 



MaisRecentes

Nova chuteira de Neymar tem linha do tempo com datas históricas da carreira



Continue Lendo

A lembrança e a saudade de Waldir Peres



Continue Lendo

Espera de 18 anos e 74 Majors chegou ao fim para Sergio Garcia: título no Masters!



Continue Lendo