Como a Lusa ajudou a reconstruir o futebol brasileiro?



Excursão da Portuguesa na Espanha em 1951. Foto: Associação Portuguesa de Desportos

 

Nenhuma derrota foi tão comentada como a do Brasil na Copa do Mundo de 1950. O “Maracanaço”, como ficou conhecido, chegou a ser considerado como a grande tragédia da história contemporânea do país.

Fato é que o futebol brasileiro viveu neste período um dos momentos mais difíceis de sua história. Aquela dolorosa cicatriz deixada pelos uruguaios precisava ser sanada a partir de uma reformulação do esporte bretão no nosso país.

E foi a partir deste contexto que alguns times brasileiros emergiram como esperança de um novo horizonte. Um deles foi a Associação Portuguesa de Desportos que montou no início da década de 50 uma das melhores equipes da história do futebol brasileiro. Não só por ter conquistados títulos importantes, mas também por ter levado muitos jogadores para a seleção brasileira, recém canarinha.

Comandada por técnicos como Oswaldo Brandão, Jim Lopes, Aymoré Moreira, Abel e Délio Neves entre os anos de 1951 a 1956, a Lusa possuía uma defesa sólida, combinada a um ataque rápido e goleador. Tudo isso graças a um plantel fenomenal com nomes como Djalma Santos, Noronha, Julinho Botelho, Pinga e Brandãozinho.

Para ser ter uma ideia do tamanho talento daquele time, a Portuguesa venceu por duas vezes o Torneio Rio-São Paulo (1952 e 1955*) e recebeu por três vezes a “Fita Azul” (1951, 1953 e 1954), honraria concedida pelo jornal A Gazeta Esportiva aos clubes de futebol do Brasil invictos em dez partidas disputadas do exterior. Era verdadeiramente uma referência no cenário futebolístico.

Essa experiência internacional, qualidade e fama fez com que o técnico da Seleção Brasileira, Zezé Moreira, levasse para a Copa do Mundo de 1954, na Suíça, três jogadores da Lusa: o lateral Djalma Santos, o meio-campista Brandãozinho e o atacante Julinho. Pinga, recentemente havia sido vendido pelo Rubro-Verde para o Vasco da Gama, também foi lembrando. O Brasil não ficou com o título, caindo diante da Hungria de Puskás nas quartas de final por 4 a 2, mas aquele time serviu de alicerce para construção do time campeão mundial quatro anos depois.

 

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Seleção Brasileira no Mundial de 1954, o primeiro depois do Maracanaço. Em destaque, Djalma Santos, Brandãozinho e Julinho, jogadores da Lusa. Foto: Associação Portuguesa de Desportos

 

Os últimos lampejos daquele esquadrão aconteceram já na segunda metade dos anos 50. Neste período, parte de seus grandes jogadores já estavam espalhados em diversos times do Brasil e do Mundo. O brilho do protagonismo só voltaria na conquista do Campeonato Paulista de 1973 sob o comando do craque Enéas e mais tarde quando por muito pouco não venceu o Campeonato Brasileiro de 1996. Todavia, nada comparado ao time dos anos 50.

Aquela “geração 50” da Portuguesa representou um momento de esperança para nosso futebol. Era um time de respeito e que não tinha medo dos grandes, com jogadores que formaram um dos melhores times do futebol brasileiros.

Independente do recente rebaixamento para a série D do Campeonato Brasileiro ou do atual momento financeiro, a Associação Portuguesa de Desportos deve ser sempre lembrada pelo talento, tradição e qualidade  que um dia ajudou a reconstruir o nosso futebol, hoje Pentacampeão mundial.

 

 

 

*Em 1954, o Torneio Rio-São Paulo passou a ser oficialmente chamado “Torneio Roberto Gomes Pedrosa”



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