Sampaoli, Felipão, Jardine e o técnico certo para cada time - Gestão EC

Sampaoli, Felipão, Jardine e o técnico certo para cada time



Um técnico de ponta no futebol deve ter cinco qualidades. Ele precisa ser “técnico”, no sentido de entender o jogo, preparar o time para as partidas de forma a tirar vantagem do adversário e tomar as decisões táticas corretas de acordo com as circunstâncias que o jogo apresenta.

Ele precisa ser um treinador, aquele cara que prepara o treino com alguma antecipação, garante a intensidade da atividade e que as ações treinadas possam acontecer no jogo.

Além disso, ele precisa ser um administrador, resolver e não aumentar os problemas que sempre acontecem durante a semana (em todos os clubes).

Precisa ser um psicólogo para extrair o máximo do atleta. Muitos deles funcionam com carinho, confiança, enquanto outros precisam ser cobrados o tempo todo. O técnico precisa saber identificar como lidar com cada um.

Acima de tudo, um bom técnico precisa ser um líder. Os comandados precisam acreditar no que ele fala. Melhor que o treinador seja respeitado e não temido. Há diferença.

Ao olharmos para o futebol brasileiro, encontrar um treinador com todas essas características parece uma utopia. Talvez Tite seja mesmo quem mais se aproxima de ter todos os requisitos. Não à toa, é o técnico da Seleção Brasileira.

Se não temos a opção perfeita, cabe aos gestores entender qual o perfil se adapta às particularidades do seu clube.

O Palmeiras em 2018 apostou em Roger Machado, um ótimo conhecedor de táticas e métodos de treinamento. Não funcionou ou funcionou por um tempo. Roger foi demitido e clube apostou em um perfil totalmente diferente.

Buscou um líder, Luiz Felipe Scolari. Felipão nunca foi considerado um estrategista, mas foi campeão mundial com a Seleção Brasileira com gestão de grupo, administrando problemas e extraindo o máximo de cada jogador. Deu tempo de reagir e conquistar o título brasileiro.

O Santos em 2018 apostou em Jair Ventura, da mesma escola de Roger Machado. Com inúmeros problemas fora de campo, o clube esteve na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Jair Ventura foi demitido, Cuca contratado e o CT foi blindado dos problemas extra-campo. Há relatos até de reuniões entre o treinador e o grupo com o intuito de colocar o “nós” (equipe) contra “eles” (diretoria). Com Cuca, o clube esteve perto de conquistar uma vaga na Libertadores até a reta final do Brasileirão.

Em 2019, a aposta foi em Jorge Sampaoli. Uma liderança clara, um entendedor de metodologia de treino e tática de jogo. Os jogadores compraram a ideia do treinador e muitos deles tiveram um enorme crescimento no seu desempenho, como Jean Mota e Alison. Os mesmos problemas extra-campo que irritaram Cuca, no entanto, continuam e o treinador já cobrou a diretoria algumas vezes.

Diante desse cenário, difícil entender a escolha do São Paulo por André Jardine. Um treinador da mesma escola de Roger e Jair Ventura, com muito conhecimento técnico, mas experiência zero na condução de um elenco experiente como o formado pelo São Paulo e, acima de tudo, sem o peso para evitar que os problemas extra-campo invadam o vestiário.

Talvez Raí tenha imaginado que a sua imagem, de ex-ídolo, fosse suficiente para respaldar o trabalho de Jardine e dar essa blindagem ao time. A aposta, em caso de eliminação diante do Talleres, deve custar o emprego dos dois.

O São Paulo parece um clube que não aprende com os próprios erros (e acertos).

O mesmo cenário extra-campo quase rebaixou o clube em 2013. Foi preciso a contratação de um líder, Muricy Ramalho, para evitar a queda.

O São Paulo precisa de um projeto fora de campo.

Dentro dele, precisa de vitórias.

No cenário atual, só com um treinador que blinde o elenco no “nós” contra “eles”.



MaisRecentes

Flamengo e Palmeiras e os modelos diferentes de formação de elenco



Continue Lendo

Figueirense e os riscos do Futebol SA no Brasil



Continue Lendo

Neymar é cada vez mais Beckham e menos Messi ou CR7



Continue Lendo