Qual explicação para o "sucesso" de Sampaoli e Jorge Jesus no Brasil? - Gestão EC

Qual explicação para o “sucesso” de Sampaoli e Jorge Jesus no Brasil?



Jorge Jesus já foi muito elogiado pelo desempenho do Flamengo diante do Goiás (Crédito: Divulgação/Flamengo)

O desempenho de Jorge Sampaoli no Santos e a atuação do Flamengo de Jorge Jesus na goleada sobre o Goiás no último final de semana aqueceram a discussão sobre técnicos estrangeiros no futebol brasileiro. O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, foi direto ao comentar os elogios ao técnico português.

“Quero ver daqui a cinco meses”, em entrevista ao programa Jogo Sagrado, da Fox Sports.

O primeiro jogo do Santos na temporada foi um amistoso contra o Corinthians, na Arena Corinthians. O time comandado por Jorge Sampaoli amassou o adversário fora de casa, com apenas alguns dias de trabalho. Em muitos momentos do jogo teve 10 jogadores no campo de ataque e o empate em 1 a 1 não representou o que foi aquela partida.

Jorge Sampaoli foi muito elogiado após a partida. Provavelmente, Andrés Sanchez deve ter pensado: “Quero ver daqui a cinco meses”.

Os cinco meses de Jorge Sampaoli se passaram e o Santos tem 76% de aproveitamento no Campeonato Brasileiro, na segunda colocação da competição, apenas atrás do Palmeiras. Embora não tenha conquistado títulos, o técnico argentino segue recebendo diversos elogios da imprensa e virou ídolo dos torcedores.

Nos dois casos, Jorge Sampaoli e Jorge Jesus, mais até do que em outros casos de treinadores estrangeiros que passaram pelo futebol brasileiro, estamos falando sobre dois técnicos que estão entre os tops do mundo (não são os melhores, mas podem estar num grupo dos 20 melhores, talvez).

O que eles têm em comum que o diferenciam da grande maioria dos técnicos brasileiros?

A primeira coisa é respaldo. Embora Santos e Flamengo tenham condições (especialmente financeiras e de elenco) bem diferentes, o respaldo que estão dando aos técnicos é bem parecido. Jorge Sampaoli ganhou quase todos os jogadores que pediu, ganhou o analista de desempenho que pediu e até um gerente de futebol. Jorge Jesus também chegou ao Flamengo com plenos poderes para administrar o futebol do clube.

Santos e Flamengo apostaram em uma ideia. No Brasil, em geral, os clubes apostam em nomes, mas na maioria dos casos os técnicos já chegam com prazo de validade. Na primeira turbulência trocam um nome por outro.

O segundo ponto em comum é que Jorge Sampaoli e Jorge Jesus não estão preocupados em garantir o emprego. A preocupação de ambos é desenvolver um trabalho, implantar uma filosofia de jogo, seguir as suas convicções. Eles ao menos até agora não mostraram preocupação em não perder a partida do final de semana com medo de correr risco de demissão. Muito por isso, o Santos apresentou um futebol bonito de se ver em boa parte da temporada e o Flamengo deu um espetáculo contra o Goiás.

Um diretor de futebol de um grande clube brasileiro me disse uma vez: “técnico brasileiro trabalha 30% do tempo e passa os outros 70% procurando uma muleta para justificar uma derrota”.

Meus seis anos de trabalho em clubes de futebol confirmam a frase.

Jorge Sampaoli e Jorge Jesus parecem não perder 70% do tempo procurando desculpas para justificar as derrotas, mas formas para melhorar a equipe. Natural que o desempenho seja bom. Natural que as equipes busquem mais o ataque do que a defesa.

Por isso, o futebol brasileiro tem muito a ganhar com os dois.



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