P.P.E.A., as letras do sucesso em um time de futebol - Gestão EC

P.P.E.A., as letras do sucesso em um time de futebol



Reffis do São Paulo foi referência quando lançado no começo do século (Crédito: Divulgação)

Muitas vezes quem acompanha o futebol não encontra explicação para o sucesso de técnicos e jogadores em determinados clubes e o fracasso dos mesmos quando trocam de camisa. Porém, a explicação não é muito complicada: técnicos e jogadores são partes importantes de um clube de futebol, mas não o todo.

O sucesso de um time de futebol passa fundamentalmente pelo que chamo de P.P.E.A:  pessoas, processos, estrutura e ambiente. Quando os quatro pilares funcionam direito, a chance de conquistas é grande. Se um ou mais falham, o fracasso parece o caminho natural.

Vamos dar um exemplo prático aqui. O São Paulo campeão mundial em 2005 e tricampeão brasileiro entre 2006 e 2008 era o clube paulista com o melhor Centro de Treinamento disparado, com o Reffis, então uma novidade no país (estrutura), tinha uma comissão técnica fixa com nomes como Carlinhos Neves, Luis Alberto Rosan, Turíbio Leite de Barros, todos referências em suas áreas naquele momento, um técnico identificado com o clube e reconhecidamente vitorioso como Muricy Ramalho (pessoas), era visto como sinônimo de organização (processos) e tinha um clima político pacificado pelas ações sobretudo do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa (ambiente).

Atualmente, o São Paulo não tem mais o melhor Centro de Treinamento entre os paulistas (perdeu espaço tanto para Corinthians quanto para Palmeiras), o Reffis perdeu as suas referências e, embora talvez não tenha perdido o sinônimo de organização, o ambiente político está longe de ser pacífico e tem provocado uma pressão enorme sobre o departamento de futebol, que pode ser medida pelo número de técnicos trocados nos últimos anos.

O Corinthians campeão do mundo seguiu o mesmo caminho. Investiu em um moderno centro de treinamento, contratou profissionais para o departamento de futebol que, pelo sucesso no clube, foram para a Seleção Brasileira (Fabio Mahseredjian, Bruno Mazziotti, analistas de desempenho).

Palmeiras e Flamengo estão na mesma direção em relação a estrutura, pessoas e processos (com Jorge Jesus até relógio de ponto agora existe no CT), embora o ambiente de extrema cobrança no clube carioca atualmente não colabore muito com o rendimento em campo. É claro que a cobrança precisa existir, mas não pode superar um limite aceitável.

Pessoas, processos, estrutura e ambiente.

Os haters logo vão encontrar exemplos de times vitoriosos sem o P.P.E.A. Vão citar times com ambiente péssimo, com brigas no vestiário, jogadores que não se falavam, clubes sem estrutura e vitoriosos.

Isso aconteceu realmente, muitas vezes porque algum dos pilares do P. P. E. A era muito forte (como um elenco acima da média, por exemplo), mas está cada vez mais virando exceção e não regra, cada vez mais virando histórias de um tempo remoto para serem contadas em programas esportivos/humorísticos.

Se o seu time não ganha nada, use o P. P. E. A. para fazer um diagnóstico. Pode ser que o problema não seja apenas o “técnico burro”, trocado toda vez que a pressão externa ou interna (ambiente) cobra resultados.



MaisRecentes

Figueirense e os riscos do Futebol SA no Brasil



Continue Lendo

Neymar é cada vez mais Beckham e menos Messi ou CR7



Continue Lendo

Qual explicação para o “sucesso” de Sampaoli e Jorge Jesus no Brasil?



Continue Lendo