O futebol de base no Brasil pede socorro - Gestão EC

O futebol de base no Brasil pede socorro



Nas últimas dias, duas tristes notícias jogaram os holofotes para o trabalho feito as categorias de base no Brasil. Na sexta, a tragédia no Ninho do Urubu vitimou 10 jovens jogadores, que sonhavam com a oportunidade de construir uma carreira no futebol. Neste domingo, a Seleção Brasileira Sub-20 perdeu uma vaga no Mundial da categoria ao terminar o hexagonal final na quinta colocação (quatro se classificavam).

São situações bem diferentes, é claro, com muito mais gravidade para o desastre no CT do Flamengo, mas juntas elas mostram um contexto desanimador para o futuro do futebol brasileiro. CBF e clubes tratam muito mal a formação de talentos.

Em 2018, a CBF anunciou um superávit no exercício do ano anterior de R$ 50 milhões e R$ 361 milhões em caixa. Mas o papel da entidade é dar lucro ou fomentar o esporte no país?

Até hoje, o fundo da Fifa de Legado da Copa do Mundo não foi utilizado. A entidade anunciou apenas no final de janeiro um acordo para um investimento de US$ 100 milhões no Brasil, sendo 15% para o futebol de base e 60% para a construção de Centros de Treinamentos em Estados que não receberam o Mundial.

Foram cinco anos perdidos pelos diversos problemas administrativos da CBF, que todos nós conhecemos. Cinco anos em que as seleções de base, em geral, penaram.

O time sub-20 não foi para o Mundial pela segunda edição seguida. Nos últimos três mundiais, apenas seleções da Europa conquistaram o título. França, campeão mundial na Rússia em 2018, e Inglaterra, semifinalista na Copa, levantaram a Taça no Sub-20.

Não é por acaso.

A Inglaterra, aliás, é atual campeã também no Sub-17, que terá Sul-Americano nas próximas semanas. O Brasil, em 2017, teve um péssimo desempenho na categoria. Foi terceiro colocado (entre quatro países) no Torneio Nike Friendlies, nos Estados Unidos, com direito a uma derrota por 4 a 0 para Portugal. Foi terceiro também no torneio de desenvolvimento na Inglaterra, com derrotas para Estados Unidos e Inglaterra. E perdeu dois amistosos contra a Argentina na Granja.

Em outubro, a CBF anunciou a volta do tetracampeão Branco ao cargo de coordenador de futebol, que ele tinha ocupado entre 2003 e 2007. Depois que saiu, ele foi diretor de futebol do Fluminense e técnico de Figueirense, Guarani e Sobradinho-DF.

Nenhum trabalho na base.

Nos clubes, a situação não é muito diferente. Notícias recentes apontam diversas irregularidades no Ninho do Urubu, que produziu duas das maiores vendas da história do futebol brasileiro, Vinícius Jr. e Lucas Paquetá.

Matéria do UOL mostrou que o CT dos Santos, dos Meninos da Vila, estava sofrendo com invasões e até camisinhas foram encontradas dentro dos campos. E o clube vendeu Rodrygo por quase R$ 200 milhões em 2018.

Se a situação nos clubes grandes é essa, nos médios e pequenos é ainda pior. Após o fim do TPO (third-party ownership – participação de terceiros nos direitos dos atletas), em 2015, o mercado mudou. Antes, os atletas eram fatiados entre clubes e empresários.  Hoje, os clubes são fatiados. Muitos médios e pequenos têm um empresário/empresa responsável pelo Sub-20, um pelo Sub-17, um pelo Sub-15 e assim vai.

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