Match Day: A grande oportunidade para o Flamengo - Gestão EC

Match Day: A grande oportunidade para o Flamengo



Grande exemplo para a coluna e já citado no post inaugural, Ferran Soriano, CEO do City Group, visitou o Corinthians há dez anos e foi um dos responsáveis por convencer o presidente do clube, Andrés Sanchez, da necessidade de o Corinthians ter um estádio próprio.

O argumento do ex-dirigente do Barcelona era simples. Em todo o mundo, as receitas dos clubes de futebol podem ser divididas em três pilares: direitos de TV, Marketing (patrocínios e afins) e Match Day (receita nos dias de jogos).

O Corinthians sempre teve uma das duas maiores cotas de TV, alguns dos principais patrocínios, mas tinha uma oportunidade imensa nos dias de jogos.

A Arena Corinthians teve impacto direto no incremento da receita do clube com Match Day, embora o modelo de negócio adotado (que pode ser assunto para outro post) não tenha sido a melhor escolha.

A oportunidade que existia para o Corinthians ainda está aberta ao Flamengo. É justamente a arrecadação nos dias de jogos que gera uma grande distorção entre Palmeiras e Flamengo, campeão e vice do Brasileiro de 2018, times com maior faturamento e ativos no mercado de transferência.

Em 2019, com o novo formato de divisão dos direitos de TV, a diferença entre Flamengo e Palmeiras dependerá da posição de ambos ao final do Campeonato Brasileiro, mas eles partem de uma base fixa muito parecida e a diferença que existia até os últimos anos pode diminuir. Em 2017 (segundo o balanço dos clubes – o balanço de 2018 será publicado em abril), o clube paulista arrecadou R$ 137 milhões com direitos de TV contra R$ 199 milhões do clube carioca.

Em relação ao pilar de marketing, o Palmeiras arrecadou R$ 130 milhões com patrocínios contra R$ 90 milhões do clube carioca. O efeito Crefisa provoca uma distorção nos valores de patrocínio, mas não podem ser consideradas como receitas permanentes.

No Match Day, o efeito Allianz Parque pró-Palmeiras é muito significativo em relação ao imbróglio Flamengo/Maracanã/Ferj.

Só no Brasileirão de 2018, o clube paulista lucrou sete vezes mais que o rival carioca com bilheteria em dias de jogos. De acordo com os borderôs publicados no site da CBF, o Flamengo lucrou em todo o campeonato R$ 3.384.230,67 contra R$ 23.750.478,28 do Palmeiras. A diferença é quase um Bruno Henrique, uma das contratações mais caras da história do Flamengo.

Janeiro mostrou que a situação deve continuar em 2019. O Palmeiras fez dois jogos como mandante e lucrou R$ 2.491.846,01. Já o Flamengo fez três jogos “em seu campo” e teve um prejuízo de R$ 164.328,13.

A oportunidade fica mais clara ainda se levarmos em consideração que os jogos do Flamengo tiveram 280.877 torcedores pagantes a mais que os jogos do Palmeiras. Em média, foram 47.139 pagantes para ver Diego e Cia contra 32.356 para acompanhar Dudu e seus parceiros.

Somados com os valores de sócio-torcedor, que no Brasil estão diretamente ligados ao programa de compra de ingressos, o Palmeiras arrecadou em 2017 R$ 121 milhões contra R$ 105 milhões do Flamengo. Ou seja, o Match Day representa quase 24% das receitas do clube paulista enquanto para o clube carioca representa apenas 17%. A diferença de 7% poderia representar ao Flamengo um acréscimo de mais de R$ 40 milhões em suas receitas.

Ainda precisamos levar em consideração que a torcida do Flamengo, segundo a última pesquisa Ibope Repucon, tem mais do dobro do tamanho da torcida do Palmeiras.

Rodrigo Caio, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol custaram mais de R$ 100 milhões para resolverem o problema da falta de títulos dentro de campo, mas passou da hora de o clube mais popular do Brasil ter um lar para chamar de seu.

Talvez seja até mais importante do que um título eventual.

Afinal, conquistas o Flamengo já tem aos montes.



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