Kepa, Sarri, lideranças e gestão de conflitos - Gestão EC

Kepa, Sarri, lideranças e gestão de conflitos



O goleiro Kepa se recusou a sair de campo na final da Copa da Liga da Inglaterra (Crédito: Glyn KIRK/AFP)

O final de semana esportivo ficou marcado pela recusa do goleiro Kepa, do Chelsea, de ser substituído nos minutos finais da prorrogação da final da Copa da Liga da Inglaterra, vencida nos pênaltis pelo Manchester City. Não foi o primeiro caso (lembram do Ganso na final do Paulista entre Santos e Santo André?) e certamente não vai ser o último.

O episódio em si é reflexo de um contexto muito maior. Desde que o russo Romam Abramovich comprou o Chelsea, o clube tem uma política cruel com treinadores. Em um país onde técnicos como Alex Ferguson e Arsene Wenger passaram décadas no comando de Manchester United e Arsenal, o Chelsea tem média de um técnico por ano. Tal política já colabora para o enfraquecimento da figura do treinador diante do elenco.

Sobre o elenco, o clube tem um histórico de vestiário problemático (Felipão que o diga). É difícil comentar de longe, mas os mimos do dono aos seus craques certamente colabora para esse ambiente. O futebol tem o dom de deslumbrar Reis, Rainhas, CEOs, magos do marketing, etc. Atitudes passionais desses líderes certamente impactam no vestiário.

Sobre Kepa, é um garoto de apenas 24 anos, com passagem apenas por times médios da Espanha antes de chegar ao Chelsea com o peso de ser o goleiro mais caro da história. Faltam bagagem e experiência, sobra vaidade.

Entrevistas muitas vezes dizem tudo menos o mais importante, mas a possibilidade de um problema de comunicação não pode mesmo ser descartada. Jogadores afirmaram que a troca dele por Caballero para os pênaltis não havia sido planejada (a do goleiro da Holanda na Copa de 2014, por exemplo, já estava prevista). Kepa disse ter entendido que havia dúvidas sobre seu estado físico e a versão pareceu ser aceita por Sarri.

Nada, porém, apaga a imagem de um técnico sem liderança sobre seus jogadores. Os conceitos de Sarri e suas decisões são questionadas pela imprensa, por torcedores e pelos próprios atletas em vazamentos seletivos. Provavelmente, com eles sabendo do histórico de Abramovich e esperando o final do ano para a troca de treinador.

O Chelsea não poderia tratar a situação, exibida no mundo inteiro, como um simples mal-entendido. Punição pública ao Kepa por insubordinação e saída precoce do Sarri, que não tem mais como levar o time a qualquer título, imediata. Só assim para passar um recado firme para todos.

Sem uma liderança firme todo clube de futebol fica à deriva.



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