Figueirense e os riscos do Futebol SA no Brasil - Gestão EC

Figueirense e os riscos do Futebol SA no Brasil



O projeto de lei que permite a transformação de clubes brasileiros em empresas, que está em tramitação no Congresso, é visto por muitos como a salvação do nosso futebol. Torcedores sonham com a chegada de um príncipe árabe ou um conglomerado chinês para trazer potes de dinheiro e transformar seu time em potência.

Embora o projeto tenha realmente pontos interessantes para os clubes, o cenário do futebol brasileiro mostra que é preciso sempre ter um pé atrás com “investidores salvadores”. O caso mais explícito sobre a situação no momento acontece com o Figueirense, que pode dar WO diante do Cuiabá nesta terça-feira, pela Série B do Brasileiro.

Os jogadores não treinaram nos últimos quatro dias, embarcaram para Cuiabá nesta segunda, mas ainda não confirmaram a entrada em campo na terça. Cobram pagamentos de salários atrasados, direitos de imagem, depósito de FGTs, entre outras coisas. Até mesmo jogadores das categorias de base estão sem receber ajuda de custo.

Assim como a grande maioria dos clubes brasileiros, o Figueirense estava afundado em dívidas em 2017. O montante beirava a casa dos R$ 80 milhões e o déficit mensal passava dos R$ 600 mil. Então, o Conselho Deliberativo aprovou a criação da Figueirense S.A, com um acordo com a Elephant para assumir a sociedade por 20 anos, com o Figueirense Futebol Clube ficando com apenas 5% de participação.

A lua-de-mel durou pouco. O CEO Alexandre Bourgeois deixou o clube meses após a chegada por discordar da presença de um dos “investidores”, Cláudio Honigman, que hoje é o principal gestor do clube. Honigman foi muito ligado ao ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

O dinheiro sumiu.

Um dos principais investidores chegaria com Bourgeois, mas se recusou a colocar o dinheiro com a presença de Honigman. Há dúvidas se os outros participantes do “projeto” tinham capacidade de investimento no clube ou contatos e know how para captação.

O Figueirense pode até entrar em campo contra o Cuiabá, a empresa pode pagar os salários atrasados, mas não existe uma perspectiva de melhora e crescimento para os próximos meses e anos. E o clube, com seus %5, não tem poder e, me parece, nem vontade de cancelar o contrato e assumir o controle do Figueirense.

Como repórter, acompanhei de perto a parceria Corinthians/MSI. Na época, um dirigente me explicou claramente porque nenhuma parceria tinha sucesso no Brasil, exceto ao caso Palmeiras/Parmalat. Clube brasileiro não quer parceiro, quer alguém para colocar dinheiro, resolver os problemas e depois pular fora.

Quando se fala em investidores, os torcedores normalmente olham para PSG, Chelsea, Manchester City….mas é preciso olhar também para o Manchester United, que tem os donos odiados pelos torcedores, para o Milan, que sofreu muito com donos nos últimos anos, com o Sunderland (vejam a série no Netflix e vocês vão entender. Dono deixou de colocar dinheiro e clube foi para a terceira divisão).

O projeto de lei é bom, mas não é a salvação. Salvação é envolver o torcedor como fazem Flamengo e Palmeiras, ter receita de estádio como alguns clubes já perceberam, ter uma gestão administrativa mais eficiente e transparente. É ser profissional nas decisões.

O sucesso continuará dependendo do P.P.E.A

 



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