De quem é o comando: técnico ou executivo? - Gestão EC

De quem é o comando: técnico ou executivo?



Felipão administra o vestiário, Alexandre Mattos administra o departamento de futebol (Crédito: César Grecco/Ag. Palmeiras)

Com a maior profissionalização do futebol brasileiro, os clubes sentiram a necessidade da contratação de um executivo para gerenciar o departamento de futebol. A função ainda não foi regulamentada, existe uma comissão o Congresso trabalhando com esse fim, a CBF lançou o seu curso para executivos, e o Manual de Licenciamento de clubes já pede a presença de um profissional nessa posição, mesmo sem deixar claro qual a qualificação necessária para isso.

Nesse cenário, ainda existe uma grande dificuldade de entendimento de qual é a função de um executivo dentro do clube e de quem é o comando do departamento de futebol, dele ou do treinador.

Na teoria, o executivo está acima do organograma. Ele é o “chefe” do técnico, tem de tomar as decisões sobre contratações, cobrar resultados do treinador e dos jogadores, fazer o relacionamento com empresários e ainda administrar o ambiente do Centro de Treinamento. O técnico decide a metodologia de treinos, a escalação e administra o vestiário.

Na prática, poucos clubes funcionam desse jeito. O Palmeiras, com Alexandre Mattos e Cícero Souza, é o maior exemplo. Não é à toa o desempenho da equipe nas últimas temporadas. Tem muito dinheiro, é verdade, mas tem comando. Qual a última crise, birrinha, que foi noticiada no elenco palmeirense?

Em geral, os clubes deixam todos os poderes nas mãos do treinador. Ele decide quem contrata e quem é dispensado. Muitas vezes ele participa das negociações.

Talvez pelo exemplo vir de cima. Foi o técnico Tite quem indicou Edu Gaspar para a vaga de executivo na CBF.

Como o indicado vai cobrar o técnico pelo mau desempenho na Copa e nos amistosos na sequência dela se ele está lá pela vontade do treinador?

Esse disputa de poder velada e ainda mal resolvida costuma gerar problemas. Cuca não queria Pato no São Paulo, agora pede a contratação de um camisa 9. O mesmo Cuca que no Santos vetou a contratação de Marco Ruben, que faz sucesso no Atlético-PR hoje em dia, para exigir a contratação de Felippe Cardoso, que chegou com contrato de três anos e agora está na lista de dispensáveis do clube.

E normalmente é assim que funciona. O técnico tem mais “paciência” com os jogadores indicados por ele do que com os que já estavam no clube ou chegaram através do executivo. Mesmo que o campo mostre que está errado, o treinador, em geral, insiste até o fim nas suas apostas.

A regulamentação da função de executivo de futebol vai ser muito importante para o futebol brasileiro. Tão importante quanto será os clubes entenderem e deixarem claro qual a função de cada um dentro do organograma.

Se um time está mal escalado os torcedores chamam o treinador de “burro”. Se o time tem jogadores abaixo do seu nível sobra para a “diretoria incompetente”.

Até para que as críticas sejam feitas no endereço certo, para mim está claro qual a função de cada profissional.

O Palmeiras dá o exemplo.

 



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