A grandeza de um clube não se mede pelos números do seu balanço - Gestão EC

A grandeza de um clube não se mede pelos números do seu balanço



Os clubes brasileiros tem até o dia 30 de abril para divulgarem seus demonstrativos financeiros do exercício 2018 e muitos deles já apresentam déficit milionário na temporada, como Corinthians, Cruzeiro, Santos, Atlético-MG e a tendência geral deve ser a mesma para a maioria deles.

Com essas informações, sobretudo nessa época, tendemos a tirar conclusões definitivas sobre a situação de cada clube, seu tamanho no mercado e o assunto, naturalmente, gera discussões acaloradas.

Será que teremos mesmo três ou quatro grandes clubes no futebol brasileiro apenas?

A resposta é não,

E nunca será assim, não importa o que os números mostrem.

As demonstrações financeiras são como uma foto. Elas retratam o momento e não mais do que isso. O verbo a ser usado é estar (grande), não ser.

Não adianta compararmos o futebol brasileiro com Inglaterra, Itália, Espanha ou qualquer outro país porque temos nossas características próprias. Na última pesquisa Ibope sobre o tamanho de torcidas no Brasil tínhamos mais de 15 times com mais de 2 milhões de torcedores. O Newcastle, da Inglaterra, por exemplo, tinha nas últimas pesquisas pouco mais de 1 milhão.

O mercado no futebol brasileiro ainda é volátil.

Os déficits que os balanços mostram tem muito mais a ver com dívidas passadas que estão sendo pagas do que qualquer outra coisa. É o processo que o Flamengo passou nos últimos anos, que o São Paulo diz estar passando e uma tendência geral. Com a regulamentação do Profut, o nível de gestão em geral melhorou (lembrem dos presidentes e seus atos nos anos 90, por exemplo), embora a média seja ruim.

O caminho para a consolidação ainda é longo. Essa instabilidade permite que uma gestão um pouco mais eficiente provoque mudanças rápidas no cenário. O Ceará hoje é o estado que lidera a região nordeste com bons trabalhos de seus presidentes, superando Pernambuco e Bahia, que sempre lideraram a região.

A instabilidade também permite distorções com aportes financeiros de mecenas ou empresas. O Palmeiras sofria antes da Parmalat e sofreu depois dela até a chegada de Paulo Nobre, W Torre e Leila Pereira. Está grande, mas correu sérios riscos nos últimos anos com seguidos rebaixamentos.

O Fluminense viu o mesmo cenário com a Unimed. Conquistou dois títulos nacionais em um intervalo de três anos.

Alguém dúvida de que o Botafogo brigaria por todos os títulos caso os irmãos Moreira Salles “comprem” o clube como chegou a ser especulado?

Esse fenômeno não acontece só pelo dinheiro. Acontece pela grandeza desses clubes, pela história que eles construíram ao longe de centenas de anos e que não aparece na foto de 2018.

A base de fãs está lá. Provocada (ou impulsionada), ela reage.

O Santos teve Pelé, sofreu com anos de penúrias após a aposentadoria do Rei, mas renasceu com Robinho e Neymar em uma onda que as fotos e pesquisas ainda não mostram. E ainda tem algumas oportunidades que uma gestão mais eficiente pode capitalizar e aumentar as receitas, especialmente de Match Day, e aproveitar a internacionalização da marca. Nenhum outro clube é tão conhecido fora do Brasil.

Não custa lembrar que o Manchester United tem mais fãs fora da Inglaterra do que internamente. Conversar com esses torcedores e gerar receita com eles é o desafio.

Em 2017, estive na Espanha para o World Football Summit e visitei também o GSIC, o Global Sports Innovation Center, da Microsoft. Lá me mostraram um software utilizado pelo Real Madrid para monitorar os comentários sobre o clube nas redes sociais ao redor do mundo. É impressionante. E o marketing do clube aproveita os dados para gerar negócios.

Outra particularidade do Brasil (que deveria, mas não vai acabar) são os torneios estaduais. Ele também permite aos clubes, mesmo em situações momentaneamente ruins, manterem sua grandeza.

O São Paulo estava em crise antes dos jogos contra o Ituano. Em duas semanas, de forma até mesmo aleatória (algo que torneios assim ainda permite), voltou a ter brilho, colocou 60 mil pessoas no Morumbi, arrecadou quase R$ 6 milhões de uma vez apenas e ainda pode conquistar um título após muitos anos.

Quer exemplo maior de volatilidade do mercado do que esse?

 

 



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