A bola não entra por acaso - Gestão EC

A bola não entra por acaso



A bola não entra por acaso não é só o nome do livro brilhantemente escrito por Ferran Soriano, hoje CEO do City Group e um dos integrantes da diretoria que devolveu ao Barcelona a sua grandeza no início do século.

A bola não entra por acaso é o mantra dessa coluna e um conceito que acreditamos ser o norte para qualquer profissional envolvido na administração esportiva.

É claro que um jogo de futebol tem muitos elementos aleatórios, que podem decidir campeonatos, especialmente em formatos de mata-mata, e alterar a percepção sobre o trabalho realizado, mas no médio e longo prazo os resultados em campo são reflexos do trabalho fora dele.

O São Paulo tricampeão brasileiro, campeão da Libertadores e Mundial no início do século tinha o melhor estádio, o melhor Centro de Treinamento, o melhor centro de recuperação física do Brasil (Reffis) e um ambiente político pacificado após anos intensos de disputa entre cardeais.

Hoje, o São Paulo não tem mais o melhor CT do Estado (talvez até tenha, mas ele é usado pela base – Cotia), não tem o melhor estádio e perdeu alguns profissionais que faziam a diferença no centro de recuperação física, além de sofrer com um ambiente político conturbado, inclusive com impeachment de presidente.

Não é à toa que vive um dos maiores jejuns de títulos na história.

Corinthians e Palmeiras fizeram o caminho oposto. Enquanto o São Paulo era o Soberano, os dois sofriam com rebaixamentos no Campeonato Brasileiro. A volta por cima, como não poderia ser diferente, surgiu de fora para dentro de campo.

O primeiro, especialmente no pós-Ronaldo (e um pouco influenciado pelas ideias de Ferran Soriano), conquistou sua primeira Libertadores e um Mundial baseado em alguns pilares – mesmo conceito de jogo (Mano, Tite, Carille), estrutura com o novo CT e profissionais não só no centro de recuperação (como Fábho Mahseredjian e Bruno Mazziotti, hoje na seleção) como também no departamento de futebol (análise de desempenho, por exemplo).

O segundo, impulsionado pelo Allianz Parque e com o sucesso da Arena capitalizado em áreas como o sócio-torcedor e marketing. Claro, também com ajuda financeira de Paulo Nobre e Leila Pereira, mas o clube soube usar o dinheiro e tem hoje um Centro de Treinamento que é referência, um trabalho nas categorias de base também de muito sucesso, entre outras coisas. Tem uma base sólida para aproveitar que (e se) não tiver mais as receitas de um (a) “mecenas”.

O Flamengo é outro grande exemplo. Por muitos anos os clubes cariocas estiveram atrás dos paulistas em estrutura, mas o Centro de Treinamento do Flamengo hoje é de ponta. A austeridade da gestão Bandeira de Mello organizou muito bem a situação financeira e permite que o clube atualmente possa gastar milhões nas contratações de jogadores como Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta e despontar como favorito em todas as competições que vai disputar em 2019.

Favoritos, aliás, não são mais oito ou nove como estávamos acostumados a citar antes do início de um Campeonato Brasileiro. Além de Palmeiras e Flamengo, talvez possamos apontar apenas o Grêmio, baseado na sequência de um trabalho de Renato Gaúcho dentro de campo e de uma linha de direção fora dele.

Temos inúmeros outros exemplos para justificar a tese, mas vamos deixar para os próximos textos. Será sempre assim neste espaço. Estaremos focados em olhar para o que acontece fora de campo para levar ao torcedor informações que podem explicar o que acontece dentro dele.

Convidamos todos a debater ideias e conceitos que possam contribuir com o crescimento do futebol brasileiro.

Contamos com vocês!



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