William, Marcelo Mattos, Diguinho e os números ‘ignorados’



William não renovará com o Vasco (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

William não renovará com o Vasco (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco)

Como costumam dizer no Exército, antiguidade é posto. No futebol, porém, não deveria ser. Qualidade e oportunidade, sim.

Já adianto que não sou contra jogadores acima de 30 anos. Muito pelo contrário. Acredito que idade seja critério de desempate num comparativo, jamais número primordial. Até porque, têm muitos com quase 40 que se cuidam mais do que os de 20 – vide Zé Roberto e Ricardo Oliveira, por exemplo. Mais vale a qualidade e o comprometimento.

Isso é algo individual, não coletivo. Mas quando há equilíbrio técnico, isso tem que pesar.

Em São Januário, dois jogadores da mesma posição estão em fim de contrato: Marcelo Mattos e William. Um voltando de uma séria lesão aos 32 anos. O outro, bem fisicamente aos 24. De quebra, este segundo ainda tem um salário inferior ao primeiro. Menos custo, com mais chance de retorno.

Isto já deveria ser o suficiente para a balança pesar, ao menos um pouco, à favor de William, mais jovem, alto, rápido e forte que Mattos. E também que Diguinho, de 33 anos, o outro da posição no elenco. Mas futebol não passa apenas pela idade, aspectos físicos e o custo, claro. Há de se ter qualidade.

Neste caso, para não ficarmos no “achismo”, quem prefere quem, trouxe alguns números comparativos entre os três. Estatísticas definem quem é melhor? Não, mas ajudam. É assim, inclusive, que os clubes garimpam o mercado.

Quando se pensa na função de volante, qual o primeiro fundamento que vem à cabeça? O desarme, certo?! Pois bem, cruzando informações do site Footstats (desarmes) com do OGol (minutos), William teve média de um desarme a cada 26 minutos na Série B deste ano. Enquanto isso, Diguinho precisou de 30 minutos para cada um e Marcelo de 33.

Além disso, o atleta – que está retornando ao Madureira após dispensa do Vasco -, acertou 97,4% dos botes, contra 88,4% de Mattos e 92,2% do atual titular da cabeça de área.

Melhor nos roubos de bola, William foi superior também em algumas estatísticas ofensivas, apesar de não ter marcado nenhum gol. Mesmo com menos minutos em campo que os seus concorrentes na posição, William foi, entre os três, o que mais deu passes para gol (2), assistências para finalização (7) e cruzamentos certos (4).

Muito em razão de ter jogado também como meia pela direita. Algo que os dois mais experientes não fazem.

William está longe de ser um primor técnico. Principalmente em relação aos passes – 89,5% de acerto -, onde perde para Mattos – 93,2% – e Diguinho – 92,3% -, mas era, do trio, quem mais mostrava potencial de evolução. Tanto pela idade, quanto pelas boas características que demonstrou. Incluindo erros, mais fáceis de serem corrigidos.

Mas o Vasco optou pela regularidade do óbvio, do já conhecido, não pelo risco – baixo – do novo. Escolheu o jogador “pronto”, abrindo mão de tentar lapidar. William voltará para o Madureira. Mattos seguirá na Colina.

A equipe agora segue precisando de um primeiro volante, já que nenhum dos três se firmou na posição em 2016. Com a diferença de que o espaço aberto no orçamento foi menor, com a renovação de Mattos e dispensa de William, do que poderia ter sido. Assim como a média de idade seguirá alta e a chance de surpresas – positivas – se manterá baixa.



  • Junior Peixoto

    Só mais uma daquelas coisas que ngm entende como pode acontecer em um clube que se diz sério…

  • William Pereira

    Lamentável essa decisão. William tem um potencial enorme, além de ser muito melhor que Diguinho e Matos. Foi um tremendo erro e uma grande injustiça.

  • souza

    William jogou muito. Teve altos e baixos mais é melhor que os outros

  • Alessandro Louzada

    Tipico resultado de quem faz algo sem saber o que esta fazendo. Mesma coisa eu pergunto pra titularidade de Madson e Julio Cesar, Pikachu e Alan possuem numeros melhores, mesmo tendo jogado 2x menos na posiçao. Reflexo de futebol feito por amadores. Internacional provou esse ano que nao basta ter um elenco bom, precisa ter uma gestao extracampo decente e o principal: UM TECNICO. Muitos criticaram Cristovao no Corinthians, mudou o tecnico e a mediocridade do time continua a mesma. Olha o Cruzeiro como mudou da agua pro vinho com a chegada do Mano. Olha o Flamengo com um elenco bom, boa gestao extracampo e um tecnico RAZOAVEL. Futebol do Vasco é feito por AMADORES, se isso nao mudar, seremos o Novo America e Portuguesa.

  • Paulo Wagner

    Inexplicável! Só falta manter Diguinho no elenco, a despeito de toda a montanha de erros que ele cometeu ao longo do ano. Mesmo não sendo um primor de técnica, vontade, garra e disposição nunca faltaram ao William. E todo time precisa de um cão de guarda como ele.

  • ronnys coutinho

    Lamentável……!!!

  • Dirceu

    ANDRE
    Nos meus comentários tem se tornado constante a referencia à gestão do clube, ao analisar quase todos os assuntos abordados em seu blog.
    Fica repetitivo, chato mesmo, estar o tempo todo falando da direção do Vasco, como se eu pertencesse a um grupo de oposição, querendo criticar os atuais dirigentes, por razões puramente políticas.
    Mas, é este caso do William, mais um dos que se somam a um repertório extenso de decisões errôneas, feitas sem qualquer base racional, concreta, refletindo a total falta de planejamento e a incompetência administrativa da gestão de futebol do clube.
    Os resultados, em todos os sentidos, em todas as categorias, nos provam que o que aí está, não está funcionando. Pior, tem levado nossos times a situações vexatórias, incompatíveis com a grandeza do Vasco.
    Portanto, o que não funciona, precisa ser mudado, e a mudança só acontecerá se houver a substituição do comando, do centro de decisão.
    O que podemos esperar de quem não tem a competência?
    Só erros, decisões equivocadas, prejuízos em todos as áreas, e quem ter perdido nesses anos é a instituição Vasco da Gama. Nossa enorme torcida não se renova, as receitas encolhem, e cada dia ficamos mais perto do que na peça “O fantasma da ópera”, protagonizada no nosso caso pelo caricatural fantasma Eurico, se chama de “Point of no Return”.
    O Vasco tem urgência em se livrar desses seus fantasmas e fantasminhas, voltar ao mundo moderno, fazer pulsar de novo no peito da juventude a emoção e o orgulho de ser vascaíno.

  • Dirceu

    Vamos agora ao concreto. Quem não concordar, que atire as primeiras pedras.
    Um time de qualidade, que pretenda ficar no primeiro terço da tabela na série A, tem condições de ter no time jogadores como: Júlio Cesar, Júlio dos Santos, Diguinho, Marcelo Matos, Felipe Gabriel, Éder Luiz, Jorge Henrique, Leandrão?
    Todos eles foram preteridos nos times grandes, que, evidentemente, reconheceram que não tinham condições técnicas ou físicas para jogar futebol em alto nível.
    A necessidade de reposição nessas posições deveria ser prioridade maxima, especialmente para aquelas que não temos um substituto nas divisões de base que pudessem ser nelas testados.
    Um volante, um meio de campo, um atacante e um zagueiro, todos eles jovens, teriam que ser contratados, para que pudéssemos nos livrar imediatamente desses aposentados em atividade.

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