Vasco repete erros de 2015



Vasco perdeu para o Paraná em casa (Foto: Wagner Meier/Lancepress)

Vasco perdeu para o Paraná em casa (Foto: Wagner Meier/Lancepress)

É difícil dar vida a algo inanimado. Nem todo mundo é Gepeto, apesar do excesso de Pinóquios no mundo da bola. Mas Jorginho, ainda no ano passado, conseguiu. Pegou um Vasco morto, sem alma e deu a ele um propósito.

Com pequenas metas e tiros curtos, soube dar um passo de cada vez até quase se salvar de um rebaixamento que estava desenhado desde a 10ª rodada. Talvez não chegasse respirando na 30ª, se não fosse o treinador.

Após o título estadual, o foco todo se concentrou na invencibilidade, histórica e simbólica. A Série B parecia apenas um caminho que facilitaria a extensão de seus números, como se o pior já tivesse sido superado. Não foi.

Quando a sequência chegou ao fim, a equipe se perdeu. Com o bom início na Série B e a errada sensação de que sua vida seria tranquila até o encerramento do campeonato, caminha enquanto todos correm. Dentro e fora de campo. Perdeu-se o ímpeto.

O Vasco repete as falhas de 2015 que lhe rebaixaram. Demora para repôr peças de elenco em um grupo que já precisava de reforços. Foi assim, por exemplo, quando já não tinha um camisa 10 e ainda viu Bernardo e Marcinho deixarem o clube. Chegou a jogar com Júlio César no meio antes de acertar com Andrezinho e Nenê, contratados na fogueira.

Hoje, falta um atacante que já era pedido mesmo quando tinha Riascos. Sente falta de zagueiro reserva assim como quando liberou Douglas Silva e também usou Aislan, que não foi bem. Saiu Vaz e ninguém chegou. Nem uma aposta, pinçada no Carioca.

O Vasco não se preparou para perder. Acreditou na própria lenda. E caiu de novo no conto.

Assim como quando ganhou o Carioca de 2015, o clube não soube aproveitar o momento em alta para encontrar novos jogadores e encaixá-los com a base que tinha. Com calma. Agora, em declínio – técnico e de resultados – e pressionado pelas vaias da arquibancada, terá que dar uma resposta rápida ao seu torcedor. E ter pressa nunca é a melhor opção.

É sempre melhor fazer compras enquanto ainda tem comida na geladeira do que ter que passar fome e brigar com a esposa antes de ir ao mercado. O Vasco já começa a apelar para o miojo, para resolver em três minutos. Uma vez, ok. Todo dia, não rola.



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