Vasco precisa entender suas limitações



Desábato errou pelo segundo jogo seguido (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Sai Paulão, e o Vasco sofre mais um gol de bola aérea. Wellington é sacado, e o time mais uma vez é batido após um erro de saída de bola e outro em um contra-ataque. A defesa vascaína segue tão frágil quanto a moleira de um recém-nascido.

Um sinal de que as mudanças de Zé Ricardo não eram necessárias?! Muito pelo contrário. É sinal de que, além das peças, o treinador precisa rever também a sua forma de atuar. O problema não é apenas individual, apesar de muito erros serem. É, também, coletivo.

O Vasco sofre um gol a cada cinco finalizações adversárias, de acordo com o Footstats. A segunda pior marca do Brasileiro. E isso ocorre independente dos onze escolhidos para iniciar os jogos.

Que o elenco vascaíno é limitado, todos sabem, inclusive o treinador. Cabe a ele, entretanto, encontrar uma forma de minimizar essa dificuldade, assim como fez em 2017. E não tem conseguido.

Mesmo ciente das limitações de suas peças – algumas pedidas pelo próprio -, Zé tenta fazer um jogo de posse de bola. Posse essa quase sempre defensiva, que deixa sua equipe no limite do erro. A ideia de ter um time de baixa qualidade técnica trocando passes próximo de seu gol é arriscada. Os resultados mostram isso semana após semana.

Foi num recuou que Paulão entregou o primeiro gol na decisão do Carioca, contra o Botafogo. Agora, contra o Vitória, foi a vez de Desábato repetir o erro – assim como falhou contra o Bahia. Outros lances similares já ocorreram no ano.

Surpreendentemente, o Vasco é o time que tem a maior média de posse de bola do campeonato, segundo dados do Footstats, com 59.8%. O Atlético Paranaense, de Fernando Diniz, por exemplo, referência no fundamento, tem 58%. O Grêmio, outro destaque, tem 57,8%.

O que difere os três? A qualidade.

Desábato é o único vascaíno a figurar entre os 15 jogadores com a maior média de passes certos no campeonato, o que mostra uma centralização do jogo cruz-maltino. Isso facilita a pressão adversária. O Furacão, por sua vez, tem cinco atletas na lista. O Tricolor Gaúcho, tem três, incluindo os dois mais participativos: Maicon e Arthur, que contribuem também ofensivamente.

Em 2017, sob o comando do mesmo Zé Ricardo, o Vasco teve a 15ª menor posse de bola, levando em consideração os 17 jogos sob o comando do treinador. Ciente das suas limitações, a equipe cedia a bola ao adversário, pressionava a saída e buscava ataques em velocidade, de poucos toques, para chegar ao seu gol. Na dúvida, defendia primeiro e aproveitava o erro do rival.

Era um time que fazia poucos gols, mas também quase não os sofria. Agora, é o inverso.

Como numa luta de boxe, Zé Ricardo parece ter aceito a trocação franca. Ou não sabe como evitá-la. Lances nas costas de seus laterais se tornaram comuns, assim como a falta de cobertura de seus volantes ou o apoio de seus meias. O Vasco não consegue se equilibrar.

Os erros individuais afloram em meio ao caos coletivo do Vasco. Talvez seja necessário voltar a entender as suas limitações, assim como fez em 2017.



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