Vasco joga a 110V um Brasileiro que é disputado a 220V



Riascos perdeu três chances claras de gol (Foto: Wagner Meier/LANCE!Press)

Riascos perdeu três chances claras de gol (Foto: Wagner Meier/LANCE!Press)

Se eu usasse o texto do fim de semana, da derrota para a Chapecoense, trocando uma ou outra frase, poderia muito bem passar batido na coluna de hoje. Os erros, os cruciais, foram os mesmos. A começar pela escalação.

Segundo jogo após a mudança tática, abrindo mão das duas linhas de quatro que haviam dado certo contra Flamengo e Avaí, e a segunda derrota consecutiva do Vasco. Não é por acaso. Nada é. Se dava certo, por que alterar?

Antes da partida, Roth justificou a utilização de três volantes pela entrada de Andrezinho. Ou seja, colocou em risco a coletividade por causa de um jogador. Se é para mudar os nomes, ok. Mas que coloque na formação que vinha dando certo.

A posição do jogador é a que ele ocupa no momento, não a que vem em sua ficha técnica. Não são bonecos de totó que não podem ser alterados, eles devem se mexer. Na linha de 4, todo mundo é meia e todos são volantes. Andrezinho poderia entrar nessa linha, mas o treinador preferiu o deixar isolado mais a frente. Não deu certo. Assim como não deu com Biancucchi contra a Chapecoense.

Lucas seria o responsável para levar a bola até o camisa 10. Mais um erro de Roth. Aliás, falha comum dos treinadores, que teimam em achar que modernidade é fazer volante jogar como meia, quando na verdade é exatamente o inverso que tem dado certo lá fora.

São apoiadores com qualidade que formam a linha, não cabeças de área com um mais de mobilidade. O caminho é inverso.

Três volantes não é garantia de defesa sólida, assim como três atacantes não significa ataque eficiente. Não se o time não tiver organização e compactação, duas coisas perdidas com a mudança de Celso Roth. Mexeu num time que estava ganhando, a troco de nada, deu errado e, o pior, manteve.

Mais do que alterações individuais, o treinador precisa corrigir a formação do time e a atitude da equipe. Pode botar dez zagueiros em campo que, se ninguém der combate, vai ficar assistindo o adversário tocar a bola até fazer o gol. E foi assim contra o São Paulo.

O Vasco, mais uma vez, mostrou que falta dinamismo tanto ofensivo quando defensivo. Correu atrás dos jogadores tricolores durante todo o primeiro tempo e início do segundo, vendo o adversário abrir três gols de vantagem. O time literalmente joga a 110 num campeonato que é disputado a 220V.

A melhora da equipe na etapa final se deu mais pela queda de ritmo do São Paulo do que por méritos do Vasco, que teve chances de diminuir o placar mas contou com uma noite deplorável de Riascos. Em vantagem, os paulistas diminuíram o ritmo e caminharam em campo, tamanha a fragilidade vascaína.

Enquanto os cruz-maltinos corriam de forma errada, os são-paulinos andavam de forma certa, ocupando espaços e tocando a bola de forma tranquila. Um choque de opostos. E de realidade.

Coletivamente, perdido. Individualmente, fraco. E o futuro parece cada vez mais tenebroso para o Vasco.

Obs: No meio disso tudo, um Guiñazu pressionando no ataque, mordendo no meio e roubando bola na defesa, enquanto os outros dez, todos mais novos, observam seu capitão se desdobrar em campo. Imóveis.



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