Vale a pena vender o mando de campo?



Vasco e Corinthians se enfrentaram em Brasília (Foto: Celio Messias/Lancepress)

Que o elenco do Vasco tem sua limitações e o clube tem suas dificuldades financeiras não é nenhuma novidade. Aliás, não são nem problemas recentes. Dá pra chamar até de mal do século.

Contra o Corinthians, neste domingo, porém, uma nova questão surgiu: vale a pena vender o mando de campo de uma partida de Campeonato Brasileiro? O quanto isso afeta o desempenho do time?

É óbvio que a goleada sofrida não está condicionada apenas a troca de São Januário por Brasília. Os problemas vascaínos, como já dito, vão além disso. Mas é inegável que o fator campo faz diferença.

Aliás, se não fizesse, não faria o menor sentido que todos os campeonatos do mundo fossem desenhados exatamente para que os times jogassem dentro e fora de casa o mesmo número de vezes, certo? Então, é relevante onde se joga.

Tanto é que nos 14 jogos disputados até agora pelo Vasco no Brasileiro, o time só venceu em seu estádio – cinco vezes. Ganhou todas? É claro que não. Mas fora dele o retrospecto é bem pior – nenhum triunfo.

“Mas a torcida do Vasco compareceu ao estádio e apoiou”, vão dizer.

Sim, e com certeza o faria em qualquer estado brasileiro. A torcida vascaína, aliás, tem um volume altíssimo fora do Rio de Janeiro. A questão, porém, não é apenas ter ou não o suporte do torcedor. Outros detalhes além das arquibancadas fazem parte do fator casa: o clima, a viagem, o gramado, as referências visuais para dar um passe ou um chute, a atmosfera das arquibancadas e até os vestiários. Desde a forma como a bola corre até o eco da torcida, tudo isso muda.

Quando abre mão do local onde se treina e joga constantemente, dá ao adversário a vantagem da neutralidade. Sim, vantagem. Afinal, entende-se que o mandante jogará com o benefício de conhecer o local, com uma superioridade de torcedores ou ao menos de simplesmente estar em sua casa. Quando o time opta por levar o jogo para um local em igualdade de condições, dá ao outro um trunfo que ele não deveria ter: exatamente a igualdade.

A ironia da situação fica por conta da postagem feita pelo Vasco nas redes sociais no meio de semana. Logo após perder para a LDU na altitude de Quito, por 3 a 1, o clube publicou uma foto de São Januário com a legenda: “Em casa a gente conversa…”.

Três dias depois o time jogaria em Brasília, abrindo mão exatamente da vantagem de jogar em sua casa.

Isso quer dizer que o Vasco venceria o Corinthians jogando em São Januário? Não necessariamente. Se marcarem outro jogo amanhã, em Brasília, com os mesmos times, é bem possível que o resultado também seja outro. Não dá para prever. O que dá para os clubes fazerem é usar todas as vantagens legais possíveis ao seu favor para vencerem as partidas. E é esta a questão.

O Vasco abriu mão de uma vantagem por dinheiro. Será que valeu a pena?

O grande ganho do clube foi financeiro – cerca de R$ 450 mil. Mais do que lucrou em qualquer jogo em São Januário no ano, é verdade. Mas qual é o peso de uma goleada sofrida após abrir mão de jogar em seu estádio e dividir torcida com o rival? Como isso afetará os próximos públicos do time? E o crescimento no número de sócios, será que a goleada impactará negativamente? E os patrocinadores, será que ficaram satisfeitos?

Tudo isso – o 4 a 1 – poderia ter ocorrido também em São Januário, como já aconteceu. Ou não, como não ocorreu nos últimos jogos – foram três vitórias e um empate nos últimos quatro jogos no estádio.

A verdade é que um time limitado como o Vasco precisa usar tudo ao seu favor para triunfar em campo. Qualquer mudança, por menor que seja, pode se tornar uma desvantagem. Principalmente quando enfrenta um adversário qualificado como o Corinthians.

O Vasco teve um mês durante a Copa do Mundo para realizar amistosos de preparação e lucrar financeiramente – como fizeram Corinthians, Santos, Cruzeiro, Grêmio e Palmeiras, por exemplo – e prestigiar seus torcedores de outros estados, mas não o fez. Agora, optou por vender o mando em um jogo naturalmente difícil e saiu derrotado.

Se não houve prejuízo nas finanças – pelo contrário -, o mesmo não pode se dizer da imagem do clube. Será que o ganho financeiro vale mais que o ganho técnico? Um risco, ao meu ver, desnecessário pelos valores envolvidos.

E que pode custar caro mais na frente no campeonato.

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