Uma sugestão para o Cariocão



se organziar direitinho joga
Há cerca de um mês escrevi um texto falando sobre a importância da continuidade do Carioca para que os clubes pequenos não fechem as portas. Porém, mesmo me colocando à favor da permanência dos estaduais, considero urgente uma reformulação na forma de disputa. Principalmente no modelo adotado no Rio de Janeiro.

Longe de mim querer ser o dono da verdade, da fórmula do remédio, mas é de opinião em opinião que talvez cheguemos a alguma solução. Por isso, registro aqui a minha.

Quando olhamos para o Cariocão, não é difícil encontrar ao menos três pontos que podemos considerar negativos: excesso de jogos de pouca importância, que pouco cativam o público, muitas datas, que incham o calendário, e o baixo nível técnico, principalmente dos clubes que recebem menor investimento. E uma coisa aparenta estar atrelada a outra.

Um campeonato mais curto, com confrontos mais atrativos e, consequentemente, mais rentável, para pequenos e grandes, é possível. E sem precisar reinventar a roda, apenas usando alguns moldes já adotados não apenas pela federação do Rio, como por outras. Mas nunca juntas.

O diferencial do Carioca sempre foi a pluralidade de campeões e de finais em uma mesma edição. Havia decisão de Taça Guanabara, Taça Rio e, claro, do Estadual. Três taças em jogo em um mesmo campeonato. Hoje a Taça GB é por pontos corridos, o que tira muito de seu peso, e a Taça Rio é disputada pelas equipes que não se classificaram, o que tira toda a sua importância.

Acredito que a modificação tenha sido feita para encurtar a disputa, mas a verdade é que praticamente exterminou a rivalidade existente no outro formato, já que normalmente haviam clássicos nas semifinais e finais das duas taças. Agora, a decisão fica apenas para a final geral.

Mas é possível encurtar sem ter que aniquilar as finais. Melhor ainda: é possível manter Taça Guanabara, Taça Rio e Carioca, com semifinais, finais, mais clássicos, e sem reduzir o número de equipes, algo que só afetaria os pequenos que deixaram de lucrar parte do bolo.

A sugestão é a seguinte: ao invés da divisão em dois grupos, como é o modelo atual, passar para quatro, com cada um dos grandes como cabeça de chave. Grupos de quatro equipes, como é na Copa do Mundo, por exemplo. Primeira fase com jogos dentro da chave – três rodadas, como na Copa – e o 1º colocado avança para a semi. Cruzamento simples (melhor campanha contra a pior e 2ª x 3ª). Final única para definir o campeão da Taça Guanabara, que se classificaria automaticamente para a decisão Estadual – como foi por anos.

Taça Rio: grupo A x grupo B e grupo C x grupo D. Quatro rodadas, primeiros avançam, semifinal nos moldes da Taça GB e final única definindo o segundo finalista do Estadual ou, em caso de vitória do mesmo clube, consagrando diretamente o time campeão.

Seriam cinco partidas de Taça Guanabara para cada time, sendo uma semifinal e uma final, o que aumentaria a importância da disputa. Mais seis jogos para premiar o vencedor da Taça Rio, um tiro curto com jogos decisivos que pode não apenas elevar a importância dos clássicos, como abrir espaço para pequenos surpreenderem. Depois, mais dois jogos finais para fechar o Carioca.

No formato atual, são 18 rodadas até o fim, com apenas dois jogos de semifinal e dois jogos de final. Na minha sugestão de modelo são 13 datas, com quatro jogos de semi (dois na Taça GB e dois na Taça Rio) e quatro partidas finais (uma na Taça GB, uma na Taça Rio e duas na decisão do Carioca). Ou seja, mais da metade serão decisões, o elevaria a relevância do campeonato.

Os oito de pior campanha somando as fases de grupo da Taça GB e Taça Rio formariam outros dois grupos para definir os rebaixados. Disputa que impediria a redução de data dos pequenos e manteria viva a relevância de seus jogos, que teriam como objetivo não cair.

Menos datas, porém, com mais jogos de peso (semifinais, finais e, consequentemente, clássicos valendo algo). O formato mais curto ajudaria também na transmissão pela tv dos confrontos entre pequenos – algo que não ocorre nesse momento – , que seriam mais importantes para a definição das vagas. Não apenas para os torcedores dos times menores, mas também dos chamados grandes. Mais televisão é igual maior exposição, que atrai também mais anunciantes. E mais dinheiro, novos investimentos, é igual a maior nível técnico.

Como escrevi antes, não é uma fórmula mágica, nem a reinvenção da roda. Talvez não seja nem o melhor formato. Mas é uma opção a ser discutida, um ponto de partida para algo que nitidamente necessita de mudanças. Neste modelo, não é preciso optar entre Estadual ou Interestadual, cabem os dois. Como sempre funcionou nos tempos de Rio-São Paulo. Ganham os dois lados. É só organizar direitinho…



  • Racional

    Garone, se é para sugerir alguma melhora me permita:
    Tornar o campeonato carioca eliminatório para a disputa de uma copa regional a seguir:
    – os 4 grandes clubes do RJ;
    – os 2 grandes clubes de MG e mais o América-MG;
    – os 3 clubes de maiores torcidas de Goiás: Goiás, Vila Nova e Atlético-GO;
    – os 2 clubes de maiores torcidas do ES: Desportiva e Rio Branco;
    – Mais 2 clubes do RJ indicados por critério técnico (poderia se participação em alguma divisão do brasileiro);
    – Mais 1 clube de MG indicado nas mesmas condições acima;
    – Mais 1 clube indicado de RJ e MG para realizarem uma eliminatória ou uma pré-liga.

    Assim teremos 16 clubes dos estados do RJ. MG, GO e ES disputando uma liga, que na 1ª fase seria uma fase de grupos : 4 grupos com 4 clubes em cada grupo e jogando em sistema de turno e returno dentro dos grupos.
    Os 2 primeiros de cada grupo avançam para as quartas-de-final em 2 jogos.
    Os vencedores seguiriam para a semifinal em 2 jogos.
    E a grande final em 2 jogos.
    Total de jogos para os finalistas: 12 jogos: 6 (fase de grupos) + 2 (quartas-de-final) + 2 (semifinal) + 2 (finais).

    Os confrontos das fases eliminatórias poderiam ser por sorteio simples (similar à UCL).

    Não custa lembrar que os Goiás já manifestou interesse em participar da Primeira Liga.

    E que se as federações do RJ e MG apoiassem este campeonato (fornecendo apoio jurídico e arbitragens), poderíamos ter um campeonato rentável, com uma quantidade razoável de jogos e contando com jogos decisivos e com bom apelo popular.

    Desenvolveria o futebol do ES (momentaneamente em baixa) e fortaleceria os clubes médios do RJ e MG. E ainda teríamos clássicos estaduais e interestaduais fantásticos.

    Mas tudo depende da capacidade de argumentação e diálogo de dirigentes e representantes de clubes.
    E deixaria assim a Primeira Liga só com os clubes do sul do país.

    Abçs Garone!

  • Ótima estratégia… também acho que o Carioca perdeu muito sem as taças…

  • Thiago Peres

    A minha ideia seria de que a Taça Guanabara seja disputada nesses moldes que você falou.

    Obs: Final em jogo único e sem vantagem, aumentaria a atratividade do confronto e o nível técnico da disputa, pois os times teriam que brigar pela vitória.

    Cabendo assim, separar os 8 melhores times para a Taça Rio, e os outros 8 mal classificados disputariam o não rebaixamento.

    A Taça Rio poderia ser disputado em sistema eliminatório simples de mata-mata, o real tiro curto, ida e volta e vantagem para as melhores campanhas na Taça Guanabara.

    Final em jogo único sem vantagem, assim não teria papo de nenhum time tirar o pé do primeiro jogo da final pensando em vantagem no segundo confronto, aumentaria a atratividade da disputa.

    Forma de disputa da Taça Rio, 1ºx8º, 2ºx7º, 3ºx6º e 4ºx5º. Assim seriam 5 datas e com importância para todos os confrontos.

    FINAL: nos mesmos moldes da Taça Guanabara.

    Após a disputa, pegariam os 4 melhores pequenos junto aos outros 4 melhor classificados no grupo contra a queda e criaria uma nova Taça, abrindo assim uma real disputa entre os pequenos, pois se esperar essa disputa dos pequenos acabar, seria um estadual com campeão e sem fim!!!! e para que essa disputa seja interessante aos pequenos, seja dada uma boa gratificação pela disputa, e uma vaga na Série D ou na Copa do Brasil.

    Hoje temos que pensar em aumentar o interesse dos grandes com arrecadação, diminuir os valores gastos em jogos sem interesse, reformular a disputa para que a mesma fique mais interessante para a torcida e patrocinadores, não podemos só pensar se vai ter um grande na final, temos que ver qualidade e interesse, se o mesmo não se classificar, foi porque se preparou mal.

    Todos os jogos seriam interessantes, do ponto de vista da disputa, dos patrocinadores e da torcida, pois a mesma teria um interesse muito maior nos jogos, por eles seriam eliminatórios.

    Premiação: Cota fechada para todos os participantes, e cota por nível de disputa.

    valor X para os semi-finalistas da taça Guanabara, e valor pago para cada fase da Taça rio.

    Vê se ficou interessante!!!!

    Abçsss

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