Um Vasco que precisa nascer prematuramente



Zé Ricardo tenta encontrar o Vasco ideal para 2018 (foto: Paulo Fernandes/Vasco)

É natural um time ter dificuldades em início de temporada. É normal também, porém, que a torcida tenha pressa para ver resultados. É instintivo. No caso do vascaíno, a ansiedade é algo quase que genético, como se todo cruz-maltino tivesse nascido prematuramente. Eu, por exemplo, vim ao mundo no dia do meu chá de bebê. Cheguei antes mesmo dos convidados. Natural.

A verdade é que esperava-se um Vasco melhor preparado por conta do início prematuro na Libertadores. Com uma base definida em 2017 e o treinador mantido, criou-se a expectativa no fim do ano sobre a chegada de reforços. Porém, vieram as saídas de Madson, Anderson Martins e Mateus Vital, que abriram lacunas a serem preenchidas. Vieram novas incertezas. Algumas delas apresentadas neste domingo.

Se nem o presidente foi definido antes do início da temporada, como se esperar que se tenha um time? E é isso que preocupa o torcedor às vésperas da Libertadores.

Sem mais da metade de seu sistema defensivo considerado o ideal na última temporada – Madson, Martins, Breno, Ramon e Jean -, Zé Ricardo terá trabalho para reconstruir o seu principal setor, restando apenas 10 dias para o duelo com o Universidad Concepción, do Chile.

Contra o Nova Iguaçu, apesar das boas atuações de Ricardo e Erazo, a defesa se mostrou, mais uma vez, frágil. Principalmente no jogo aéreo.

Dos quatro gols sofridos nos jogos do Carioca, três nasceram após cruzamentos altos. Dois deles em falhas de marcação de Wellington, que ainda não conseguiu mostrar o bom futebol que o credenciou a renovar o contrato no fim do ano. O outro, às costas de Rafael Galhardo, que não fez uma boa estreia com a camisa vascaína neste domingo. O lateral entrou no 2º tempo e se mostrou visivelmente fora de ritmo. Afinal, foram apenas duas partidas em 2017.

Sem Madson, Jean, Anderson e Breno, o Vasco reduziu a altura de seus defensores, e tem tido problemas. Se não fosse Martin Silva – que errou a saída no 2º gol – defender duas cabeçadas à queima-roupa no primeiro tempo, os números negativos no jogo aéreo seriam ainda piores.

Perder titulares num ano tão importante para o clube, de retorno ao cenário internacional, não caiu bem. A equipe começa a temporada remendada, mas muito próxima do que pode ser o seu jogo mais importante de 2018: a estreia na Libertadores.

A atuação no 4 a 2 sobre o Nova Iguaçu trouxe alguns pontos positivos, como a participação segura de Erazo, a melhora de Pikachu quando adiantado na ponta direita, a tranquilidade de Desábato na cabeça de área, rodando bem o jogo, e a pontaria certeira de Henrique nos cruzamentos. Entretanto, foram destaque individuais, não coletivos.

Em contrapartida, expôs ainda mais a fragilidade defensiva de um time que tinha exatamente no setor a sua maior virtude. Pode-se dizer, agora vendo em campo, que o Vasco perdeu a sua maior arma.

É claro que é possível reencontrar o equilíbrio defensivo. A grande preocupação é quando. Restam apenas mais 10 dias para Zé Ricardo terminar de remendar a colcha de retalhos antes de sua primeira decisão.

O Vasco de 2018 também terá que nascer prematuramente.



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