Um Vasco mais consciente



Vasco teve boa atuação contra o Flamengo (Foto: Luciano Belford/AGIF)

Era um clássico, antes de tudo, de opostos. De otimistas contra pessimistas.

Antagonismo refletido nas arquibancadas. Poucos vascaínos ocupavam o seu lugar de direito no Maracanã. Os que lá foram, mais passionais que racionais, eu diria.

E quem não é?

Em campo, entretanto, um Vasco muito mais consciente do que impulsivo, como vinha sendo. Com cinco segundos, Werley buscou a primeira bola longa. Era o primeiro sinal da mudança: o time de Zé Ricardo não faria questão da bola. Não como obsessão.

Equipe de maior posse no campeonato, até então, o Cruz-Maltino tem sofrido para propor o jogo – escrevi sobre isso após a derrota para o Vitória. Dessa vez, como uma noiva decidida, resolveu esperar.

Com 37% de posse, o Vasco se expôs menos do que com os 57% contra o Vitória, por exemplo . Isso porque a bola não o protege. Muito pelo contrário. Ela lhe dá a falsa sensação de estabilidade, de impermeabilidade, que se esvai no primeiro erro individual. Normalmente, próximo da área, onde o time costuma manter a bola.

Dessa vez, entretanto, o erro foi ainda mais perto do gol. Dentro da pequena área, para ser mais preciso. Com Martin Silva.

Falha também da arbitragem, que não marcou impedimento de Diego na origem da jogada, resultando no gol de Vinícius Junior. Erro que não anula mais uma rebatida errada do uruguaio, que agora dará a chance de Fernando Miguel mostrar serviço. A disputa, ao menos, é válida.

Ao contrário dos jogos anteriores, porém, após sair perdendo, o Vasco não se lançou à frente como um cliente atrasado, sem carrinho, no aniversario do Guanabara.

Com os onze jogadores atrás da linha da bola, seus meias foram mais participativos do que de costume. Wagner, por exemplo, deixou o campo quando era o líder de passes certos da equipe – jogando na direita, invertendo de lado com Pikachu em relação aos últimos duelos. Ranking esse quase sempre liderado por Desábato ou um dos zagueiros.

Ao recuar seus meias para a linha dos volantes, sem a bola, formando um 4-4-2, com Thiago Galhardo ficando mais próximo a Ríos, Zé Ricardo preencheu o meio-campo e trouxe seus apoiadores para o jogo. Wagner, Galhardo e Pikachu finalizaram sete vezes em gol. Três vezes através de assistências do atacante argentino, que caiu pelos lados abrindo espaço para Thiago entrar na área.

Organização, movimentação, aproximação e sincronismo que faltavam ao Vasco.

O gol de empate saiu em uma cobrança de escanteio, num voo apoiado de Wagner. Pikachu ganhou a vaga de Galhardo, o Rafael, nas cobranças e mandou para área. Ríos ganhou da defesa do Flamengo no alto e desviou. O camisa 20 – o que mais ganha no elenco – não desperdiçou a chance que ganhou, e de cabeça deixou tudo igual.

Resposta rápida de um Vasco que entrou em campo cheio de perguntas. Algumas respondidas, como a certeira mudança de estratégia da equipe, mais reativa do que propositiva.

O último grande lance do clássico seria a bicicleta de Thiago Galhardo, ainda no primeiro, tão bonita quanto inofensiva.

No 2º tempo, não fossem as expulsões de Breno, Riascos, Cuellar e Rodolpho, já nos acréscimos, num lance onde meia dúzia de amarelos resolveria o problema e deixaria o clássico correr sem grandes problemas, poucos se lembrariam da etapa final.

Com Wagner e Galhardo saindo antes da metade do tempo, o Vasco passou a mostrar ainda menos apreço pela bola. O Fla, por sua vez, demonstrou pouca eficiência ofensiva, acertando novamente o gol de Martin apenas aos 45 do 2º tempo. Dessa vez, parando em grande defesa do camisa 1.

No clássico dos opostos, quem saiu otimista foi o antigo pessimista.



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