Um Vasco ileso



Riascos reestreou pelo Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Se havia uma partida em que o Vasco não poderia deixar o gramado derrotado de maneira inapelável era o clássico com o Flamengo deste sábado. Não há nada mais desmoralizante que os dias seguintes após ser batido pelo seu principal rival. Quando isso pode ocorrer às vésperas de uma estreia na Libertadores, torna-se ainda mais crucial.

Entrar numa competição continental com bandeira a meio mastro é o primeiro passo para se despedir sem deixar saudades.

O empate em 0 a 0 no duelo deste fim de semana trouxe um pouco de moral ao elenco cruz-maltino. Não que tenha sido uma grande atuação do time de Zé Ricardo – apesar da melhora no 2º tempo – ou um bom resultado, mas diante do que se esperava antes da bola rolar, foi digno. Em alguns momentos, foi até bom.

As arquibancadas vazias do lado vascaíno eram o reflexo do sentimento de grande parte da torcida. Convenhamos, depois dos últimos acontecimentos no clube, o cruz-maltino que foi ao Maracanã – talvez 4 ou 5 mil -, se não era um turista aproveitando uma rara oportunidade, era um apaixonado de carteirinha. Não havia nada que indicasse que seria um grande jogo. Principalmente pelo lado do Vasco.

Só estava lá quem tem mais fé do que juízo. E isso em uma arquibancada não é proibido.

Muito pelo contrário.

E quem foi, viu a melhor entre as piores atuações do time neste início de 2018. E contra um rival mais qualificado que os anteriores. Mesmo com alguns erros de posicionamento e de passes – típicos de início de temporada -, o Vasco mostrou que consegue tirar um algo mais em jogos importantes. Se ainda não há a organização de 2017, não faltou vontade – mais uma vez, principalmente no 2º tempo.

Desábato foi o ponto luminoso na escuridão em que se encontrou Wellington, recordista de passes errados (5) pelo lado vascaíno. O argentino mostrou exatamente o futebol que se esperava dele em sua chegada: muita pegada no meio-campo e com qualidade nos toques. Ao contrário de Jean, titular no ano passado, o novo camisa 5 teve tranquilidade com a bola nos pés, inclusive nos passes longos.

Só ele mordeu. A bola, não.

Mais atrás, Ricardo vem fazendo jus ao sobrenome e caindo nas graças do torcedor – desculpa por essa. O zagueiro bloqueou três chutes na partida – mesmo número de defesas de Martin Silva -, sendo um deles de Felipe Vizeu, já quase dentro da pequena área. Pelo alto, também se impôs.

Ricardo, sem dúvida, é a grande boa notícia do Vasco neste início de ano.

Um raro zagueiro canhoto, que joga direito. Destes que se destacam pela qualidade, não pela força. Aliás, nada intimida mais um atacante do que um zagueiro com recursos. A força se dribla, mas a qualidade é mais difícil.

Não é à toa que Ricardo é o zagueiro com mais desarmes e rebatidas no Carioca.

Mas se a defesa do Vasco começa a ganhar corpo e personalidade – pela primeira vez em 2018 não sofreu gol -, o ataque segue mais cego que faca de pão.

Evander, titular na ausência – agora definitiva – de Nenê, foi um dos jogadores menos participativos da equipe. Aliás, entre os titulares, o trio ofensivo só tocou mais vezes na bola que Martin Silva. Foram 13 de Andrés Ríos, 15 de Evander e 19 de Paulinho. Wagner, com 23, não ficou muito longe. Pikachu, com 38, foi o mais acionado.

Rildo, nos poucos minutos em que esteve em campo, deu mais opções ao time. Ajudou na defesa e tentou forçar jogadas em velocidade na frente. Foi mais incisivo, agudo. Ainda não está em sua melhor forma ou ritmo, mas demonstrou que pode ser útil.

Depois de sofrer derrotas para Bangu e Cabofriense, empatar com o Flamengo não pode ser considerado um resultado ruim. Ideal, é claro, também não. Mas com o turbilhão que o clube viveu nos últimos meses, ter um fim de semana de 0 a 0 já uma ótima notícia. Ainda mais com uma decisão na quarta-feira.

O Flamengo, ainda com muitos reservas e invicto, era o franco-atirador do clássico. Mas atirou pra fora as chances que teve – ou parou em Martin. Sair ileso foi a grande vitória do Vasco, que agora pode focar no que realmente importa: a Libertadores da América.



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