Um Vasco aéreo



Nenê tem finalizado pouco (Foto: Cristiano Andujar/AGIF/Lancepress)

Nenê tem finalizado pouco (Foto: Cristiano Andujar/AGIF/Lancepress)

A qualidade com a bola nos pés, normalmente, é o que define o nível do jogador. Principalmente no setor ofensivo. A sua capacidade de criar, inventar, ditar o ritmo da partida e o seu rumo, é o que difere os atletas. Cada um com suas características e nuances.

No alto, quando a bola sobe, se não é vôlei ou basquete, todos ficam mais parecidos. Quando ela voa ao invés de rolar, a falta de toques com os pés equivalem todos. Pelo ar, onde as pernas não podem bailar, todo mundo é igual. Na verdade, por lá, a lei é do mais forte, não do mais ágil. Melhor para os zagueiros.

O Vasco tem sido aéreo. E só. Até mesmo quando entra na área, a única opção parece ser o cruzamento. Julio dos Santos mostrou isso no segundo tempo quando recebeu livre e girou. Para buscar Leandrão e não o gol. Foram 38 bolas alçadas no ataque, apenas 11 certas. O Avaí tentou apenas 15 e venceu. Com ela no chão.

Quando até lateral vira cruzamento, é sinal que faltam recursos, jogadas no chão. Jorginho precisa reinventar o time.

Nenê, que antes rompia como atacante, trocando muitas vezes de posição com Riascos, virou uma meia cruzador da intermediária. Quando conseguiu finalizar de dentro, Caio Monteiro marcou no rebote. Por baixo.

Sem o colombiano, ou Jorginho busca um outro ‘falso 9’ que se movimente ou ensina esse Vasco a jogar com centroavante fixo, o que não tem dado certo. Fato é que a equipe precisa de um fato novo, mudanças além de nomes, mas de postura, de conceito.

O Vasco é superior na Série B – ou deveria estar sendo – pela qualidade de seus jogadores com a bola nos pés. Cabe ao treinador fazer com que o coletivo volte a realçar este individual. Tocando bola, não apenas cruzando.



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