Um passo atrás, três pontos à frente



Recuo de Evander melhorou o time do Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

O Vasco entrou em campo afoito contra o Macaé. Talvez pressionado pela sequência de resultados ruins – goleada para o Jorge Wilstermann (4 a 0) e derrota para a Portuguesa-RJ (1 a 0) -, se lançou à frente como se o duelo definisse a vida do clube no ano. Com um minuto de jogo, numa troca simples de passes, Pikachu já fechava no meio, com Paulinho abrindo na direita, deixando um corredor inteiro exposto.

Vindo de insucessos, o próprio Vasco supervalorizou o confronto, num campeonato até então desvalorizado pelo clube. Faltou calma desde o início para construir o resultado, e o time acabou saindo atrás no placar.

Com 25 minutos de partida, a equipe havia trocado 136 passes certos – dados do Footstats -, porém, 77 deles realizados por Paulão (22), Erazo (22), Desábato (19) e, pasmem, Martin Silva (14). Ou seja, mais da metade do toques ocorreram na defesa vascaína. Sem opções no meio, com Wellington, Wagner, Evander e Paulinho adiantados e bem marcados, o time se limitou a forçar bolas lançadas. Sem êxito.

O jogo mudou de figura quando o Vasco deu um passo atrás. Ou melhor: Evander deu.

Até os 40 minutos da primeira etapa, o meia havia dado apenas 19 passes na partida. Foi quando recuou para ajudar na transição, e o time evoluiu. E o jogador também. O número de toques do camisa 10 subiu para 52 até o fim do duelo, mais do que dobrando a sua participação.

Evander voltou para fazer a função que deveria ser de Wellington, que mais uma vez não teve boa atuação. Ao lado de Paulinho, o cabela de área foi o jogador que mais errou passes pelo lado cruz-maltino – seis. E dos 40 que acertou, apenas nove foram para os homens de frente – Wagner (4), Evander (3), Ríos (1) e Paulinho (1). Em contrapartida, por 16 vezes retornou a bola para Desábato, jogando para o argentino a responsabilidade de fazer a ligação entre defesa e ataque. Outros nove foram para os zagueiros Paulão e Erazo.

Números que mostram bem a baixa efetividade de Wellington na ligação entre defesa e ataque, o que deveria ser uma de suas principais atividades quando a equipe detém a posse.

Com Evander recuando para qualificar a saída de bola, o volante ficou sem função. E é algo que Zé Ricardo pode começar a pensar para alguns jogos, principalmente contra equipes que atuarão mais fechadas. Sem ter a quem marcar e sem ser incisivo no ataque, Wellington foi peça pouco participativa em todo o jogo.

A entrada de Thiago Galhardo, aos 30 minutos do 2º tempo, ainda que o apoiador não tenha feito uma grande atuação, deu o gás que o Vasco precisava para pressionar o Macaé nos minutos finais. Com Galhardo, Evander, Rildo, Ríos e Riascos, o time de São Januário qualificou seu passe e conseguiu fugir da marcação no meio-campo com mais facilidade. Thiago tem mais facilidade para atuar de uma área a outra do que Wellington, e isso ajudou a empurrar o adversário para o seu campo.

A ideia de atuar com dois volantes, liberando Pikachu pela direita para jogar quase como um ponta é boa, mas não pode ser a única opção da equipe. Contra o Macaé, mais uma vez, isso ficou nítido. A velocidade pelos lados é uma das características principais do time, mas é preciso também saber jogar com cadência, com a bola nos pés, principalmente quando for enfrentar equipes mais fechadas. O que deve ser o caso das partidas em casa pela Libertadores, onde terá que propor o jogo.

De duas, uma: ou Wellington melhora seu desempenho, ou Zé Ricardo pode começar a pensar em alternativas para a posição. Recuar Evander, ou até mesmo Galhardo, é uma delas. Contra o Macaé, foi o diferencial.

* Dados estatísticos: Footstats



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