Sobre Ali, Vasco e a ‘limpeza de cartel’



Andrezinho fez o gol da vitória do Vasco sobre o Goiás (Foto: Celso Pupo/Lancepress)

Andrezinho fez o gol da vitória do Vasco sobre o Goiás (Foto: Celso Pupo/Lancepress)

Jorginho nasceu em 1964, ano em que Cassius Marcellus Clay Jr mudou seu nome para Muhammad Ali. De semelhança, o poder de definir com a direita. Um cruzador e um peso-pesado. Categorias distintas. Homens distintos.

Antes de tudo: não é comparação, é homenagem.

Ali era fora do normal, tinha mãos e pés que bailavam como se fossem partes de corpos diferentes. Um casal de dançarinos ligados pelo tronco, que ginga e dá ritmo.

Cassius iniciou sua carreira com 31 vitórias consecutivas, foi parado por Joe Frazier em 8 de março de 1971. No dia em que o mundo chora sua partida, o Vasco chega aos 33 de invencibilidade.

Assim como Muhammad fez ao vencer Frazier, Ken Norton e Leon Spinks após ser derrotado pelos três, o Cruz-Maltino começa a ‘limpar seu cartel’. Sob o comando de Jorginho, o time perdeu apenas seis jogos em dez meses – Ali foi derrotado somente cinco vezes em 21 anos -, e um deles havia sido contra o Goiás. O Fluminense já foi ‘riscado’ da lista. Restam Figueirense, Inter, Atlético-MG e São Paulo.

Andrezinho, assim como eu, nasceu depois que Ali parou. Mas não parou de aprender o que Ali ensinou. Isso está no coração de todo esportista que almeja o sucesso, a vontade de dar a volta por cima, a superação nas adversidades. A luta além da batalha. E o meia venceu a sua novamente.

“Somente um homem que sabe o que sente ao ser derrotado pode ir até o fundo de sua alma e tirar dali aquilo que lhe resta de energia para vencer um combate equilibrado” .

Poderia ser uma análise do momento vascaíno, mas é uma frase de Clay. Não de Jhon, que estava no banco goiano. Mas Cassius, que pediu licença aos mortais para entrar para a eternidade.

‘O impossível é temporário’, dizia Ali. Ele, portanto, era possível. Nunca passível, jamais passado. Eterno. Atemporal.

Assim como o Vasco, Muhammad iniciou sua vida desviando de pedras arremessadas. Combateu guerras fora do espaço que achavam que lhe era suficiente. Foi além do que delimitaram para ele. O time de Jorginho faz o mesmo, rompendo números inesperados, mostrando que aprendeu com as pancadas que levou.

A história mostra que toda luva um dia deixará de ser levantada, mas que as batalhas que travou serão eternas se disputadas não apenas com os punhos, ou pernas, mas com o coração. Não pelos pontos ou cinturão. Por algo maior que o título de campeão.

Jorginho, Nenê, Andrezinho e até o menino William, um dos destaques da partida, não deixaram a derrota chegar neste sábado, mas um dia ela virá. Enquanto isso não ocorre, resta ao grupo tentar fazer com que a história se torne o impossível de Ali.

“Sei aonde vou e sei o que é a verdade. E não tem por que ser o que você quer que seja. Sou livre para ser aquilo que quero ser”, Cassius Clay.

O Vasco de Jorginho quer ser histórico.

Está sendo.



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