A simplicidade de Valdir e a pintura de Ramon



Ramon marcou um golaço no Maracanã (Foto: Luciano Belford/AGIF)

Ramon marcou um golaço no Maracanã (Foto: Luciano Belford/AGIF)

Um clássico definido com um chute no ângulo tem a beleza de uma luta terminada em nocaute. É um instante que merece um quadro, um momento que justifica a paixão, o êxtase. Uma fração de segundo entre o tiro e a queda que define a história do embate. E foi assim que Ramon derrubou o Fluminense.

Mas não foi só isso.

Um desavisado que passasse pelo Maracanã, na tarde deste sábado, e visse o Vasco em campo, acharia que ali, de camisas pretas e faixas diagonais brancas, jogava um time que há tempos atuava junto. Os 11 escolhidos por Valdir pareciam amigos de infância, reunidos em volta de uma mesa de bar, tamanha a proximidade entre eles. Digo física mesmo, algo raro sob o comando de Milton Mendes.

O Vasco foi simples como o bigode de seu interino. Nada de cavanhaques, costeletas, ducktails, barbas com tranças ou coisas do tipo. Apenas um bigode. Bem cuidado, é verdade, ainda assim, somente a simplicidade e eficácia de um belo ‘mustache’.

Compacto, atingiu sua melhor marca de passes no campeonato. Fruto de uma organização que, se não surgiu única e exclusivamente das mãos de Valdir, parece ter se tornado mais fácil após a saída de Milton Mendes.

O Vasco conseguiu envolver o Flu com e sem a bola. Disse envolver, mas talvez a palavra certa seja controlar. O Cruzmaltino manteve o Tricolor quase sempre em área infértil.

Jean e Wellington anularam Scarpa e Wendel. Mataram o jogo pelo meio e, consequentemente, as infiltrações que nascem de bolas enfiadas pelos dois. Forçou o Flu a jogar com seus laterais, que acabaram dando espaço aos do Vasco.

Madson arriscou, aos 21, pra fora. Ramon, aos 31, pra dentro. E logo depois pra fora novamente.

Isso mesmo, amigos: a rede do Maracanã se recusou a ser estufada no instante pleno do esporte.

Talvez surpresa com o chute indecente do camisa 6, negou sua própria essência ao não abraçar a bola no momento do gol. Algo que só se justificaria se, em seguida, ela atravessasse o campo correndo para abraçar Ramon, o autor da obra-prima. O que não ocorreu.

Ou será que foi a bola que tentou voltar para parabenizar o lateral? Não saberemos. Certo é que ela alcançou seu local de descanso, ainda que momentâneo, num lindo arremate que definiu o clássico, algo belo por natureza.

Do camarote, Zé Ricardo, novo técnico vascaíno, teve mais a comemorar que só o golaço.

Breno e Anderson Martins foram seguros por cima e por baixo. Assim como Martin, certeiro em todas as saídas de cruzamentos.

Mateus Vital, por sua vez, fez jus ao sobrenome. Foi peça fundamental no meio-campo, participando ativamente tanto do ataque quanto da defesa – roubou inclusive a bola no lance do gol. Foi a melhor partida do garoto nos profissionais.

Já Nenê, mesmo errando em demasia, mostrou que é capaz de desequilibrar individualmente. Quase assinou outra pintura no Maraca, no 2º tempo, dessa vez de calcanhar. Scarpa salvou. Se entrasse, mereceria sair de lá direto para um museu.

O gol, não o jogador. Esse, ainda tem a dar ao clube.

Grande novidade de Valdir, Andrés Rios também apresentou suas credenciais. Com a mesma simplicidade do treinador, fez o feijão com arroz que costuma funcionar para os atacantes. Toques simples e rápidos, um pivô de qualidade e a velha disposição argentina.

Zé deve ter gostado do que viu. Os vascaínos também.

Do gol, não há quem não goste.

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