Símbolos e semblantes



Torcida do Vasco deu um show em São Januário (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Torcida do Vasco deu um show em São Januário (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

O futebol é formado por símbolos. Cada clube tem o seu, no escudo, no uniforme. É único. Simbólico é tudo aquilo que serve como símbolo. É uma marca, um momento, um frame da realidade.

O jogo de futebol se desenrola por 90 minutos, procurando um momento único que simbolize aquele embate. Uma hora e meia de bola rolando para eternizar 10 segundos. Ou menos. É o gol do Cocada, o gesto de Bellini, a rebolada de Edmundo, a falta de Juninho, o balão de Dinamite, a vibração de Romário…

Nem todo símbolo é palpável. E estes são os mais marcantes.

Quanto mais chove, mais a torcida do Vasco canta. Os raios marcam a mudança de música no ‘pout pourri’ vascaíno. Um relâmpago e um grito. Uma pancada de chuva e uma batida mais forte de palmas. Guerra declarada entre torcida e São Pedro. Vence quem grita mais alto: a arquibancada.

O vestiário alaga, mas o Vasco não afunda. O time esfria, mas a torcida aquece. No grito, no calor do cordão para ir para o aquecimento. Jogadores passando pelo concreto, vivendo o abstrato. Momento único, simbólico e histórico. Time e torcida no mesmo plano, vestindo o mesmo pano, tentando não bater o pino.

Os vascaínos esquentaram o time. Protegeram seu bem maior, fazendo o próprio cordão de isolamento. Não foi a PM, foram os próprios torcedores que abriram caminho. Eles queriam ver o Vasco em campo. Queriam um Vasco sem prantos.

Nenê, que carrega o Vasco, é carregado sobre a água. Símbolo de uma equipe que aguarda um messias para se salvar. O mar se abre ou ele passa por cima. Nem que seja na ‘garupa’.

A torcida protege, o funcionário carrega, Martin cumprimenta, Nenê rege… O clube reage. Símbolos de um Vasco que mudou o semblante para voltar a Série A. Sim, voltar. A queda aconteceu no 1º turno. O que esse elenco tenta é o acesso.

É outro Vasco. Mas os mesmos vascaínos. Incrédulos que creem. Num antagonismo de protagonistas sem fim.

São os cruz-maltinos da construção de São Januário, da Virada Histórica e da conquista da América. Apaixonados por uma cruz que brilha no sol e na chuva.

Símbolos de um clube que escolheu acreditar, desde o início, lá em 1898.



  • André Rocha

    Vascainidade a toda prova… Belo texto, Saudações Vascaínas!!!

  • Gustavo Broda Lóes

    Excelente como sempre, muito bom Garrone!

  • Claudio

    Até segunda que vem…

  • B૨uce #LutoRecord

    Espetacular, arrepia qualquer vascaíno!

  • Viva

    Alguem aqui é macho pra explicar os cartões amarelos não aplicados ao Nene que o tiraria do ultimo jogo?

    • Fiuza

      É o mesmo “esquema” q fez o flamengo e Fluminense permanecerem na série A até hoje, o mesmo que dita o Títulos dos “campeões Brasileiros”, Santos, Curzeiro, Fluminense e Corintians…….o mesmo esquema q faz esse futebol perder a vergonha na cara, que faz Euvirus ser presidente,e a CBF continua, “linda”, “leve” e solta.

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