São Januário não é perigoso; as pessoas sim



Em 2013, pequeno grupo de torcedores de Corinthians e Vasco brigaram em Brasília (Foto: Cléber Mendes/LANCE!Press)

Em 2013, pequeno grupo de torcedores de Corinthians e Vasco brigaram em Brasília (Foto: Cléber Mendes/LANCE!Press)

São 88 anos de história, quase nove décadas cravado no coração da Zona Norte do Rio de Janeiro. São Januário está lá, imóvel, mas pulsante.

Assim como todo idoso, tem encolhido ao passar dos tempos, mesmo fazendo pouquíssimas ‘cirurgias’. Umas cadeiras aqui, um retoque ali, mas nada que explique uma queda de 40 para 15 mil  expectadores. Mas se é para melhorar a segurança e o conforto das pessoas, ok.

Comparado às novas arenas, São Januário é um estádio de porte médio, não pequeno, muito menos perigoso. Em 88 anos de vida, jamais soltou um rojão, pegou numa barra de ferro ou tentou socar alguém. Até acredito que muitas vezes arriscou alguns chutes, como aquele de Donizete, em 98, contra o Barcelona do Equador. Mas pessoas, ele nunca chutou. Não mesmo.

As ruas são sim apertadas, acanhadas, até mesmo confusas para quem não está acostumado com elas. Mas isso numa sociedade normal deveria causar apenas trânsito, não violência. Aliás, enquanto você lê, São Januário e suas vias estão lá, no mesmo lugar, recebendo milhares de vascaínos, flamenguistas, botafoguenses, tricolores e, por que não, corintianos, que passam de um lado para o outro trabalhando. Em paz.

O estádio não faz mal a ninguém, as pessoas – algumas – sim.

São Januário não é perigoso, alguns ‘torcedores’ são. Uma minoria bem pequena, mas que é capaz de causar danos gigantescos. Estes, deveriam estar longe não apenas das arquibancadas, mas dos verdadeiros torcedores. Porém, os (ir)responsáveis preferem apontar o local como principal preocupação de um jogo. Não é.

É como culpar a largura do vagão pelo assédio sofrido por mulheres no metrô, por exemplo. Também não é. O crime é de quem comete, não do lugar onde ele é realizado.

Estádios não brigam, pessoas sim.

O último confronto entre “torcedores” de Corinthians e Vasco aconteceu bem longe do Rio e de São Paulo. Foi em Brasília, no recém reformado Mané Garrincha. E São Januário? Não saiu no braço com ninguém. Estava lá, onde sempre esteve, próximo a Barreira, pegando um sol e recebendo a benção do Cristo Redentor. E é assim todos os dias, desde 1927, quando foi erguido.

O problema não é o estádio – seja ele qual for -, são alguns poucos que o frequentam vez ou outra. E isto é um problema a ser resolvido pela polícia, não pelo clube. Reduzir a capacidade da Colina Sagrada ou impedi-la de sediar eventos maiores não afasta os ruins, apenas amedronta os bons.

Com 40, 30 ou 5 mil, a preocupação será sempre a mesma: aqueles 100 que vão ao jogo para brigar e tumultuar. Enquanto eles seguirem livres, não importa o local ou o time que torcem, haverá sempre o risco. E não apenas ao futebol, mas à sociedade.



  • Junior Peixoto

    Garone, vc foi cirúrgico no seu post! Não importa onde seja o jogo, se os marginais de sõ estão lá pra brigar forem ao jogo, vai ter briga! Seja em São Januário, seja no Engenhão, seja em Brasilia (afinal, a ultima briga entre as duas “torcidas” foi lá no Planalto Central, bem longe do nosso estádio”).

  • Favela-LHP LUCIANO

    então ja q as pessoas sao perigosas q coloque segurança…

  • Racional

    Argumento puramente clubístico, subvertendo a realidade dos fatos. O estádio de São Januário é um estádio anacrônico e ultrapassado que não suporta sozinho a torcida do Vasco da Gama, haja vista a final da João Havelange-2000. Agora imagina abrigar juntas 2 torcidas rivais como as torcidas de Vasco e Corinthians??
    Prezado jornalista, vc deveria no labor isento de sua profissão cobrar das diretorias incompetentes que passaram pelo clube da colina a remodelação profunda do velho estádio de um dos maiores clubes do futebol brasileiro. A torcida cruzmaltina, sempre tão linda, iria agradecer profundamente. Assim como a torcida do Palmeiras agradece à visão vanguardista das diretorias que viabilizaram a remodelação de seu estádio.
    É preciso resgatar o espírito vanguardista vascaíno da década de 20, que diante de tantas pressões políticas, foi o responsável pela construção do maior estádio da América do Sul na época. Hoje as pressões são outras: governos, consórcios e a demanda por um estádio adequado em condições de receber até nossos adversários regionais. Todos eles, sem distinção.
    A grande torcida vascaína merece um novo estádio. Maior, mais seguro, mais confortável. Para que as novas gerações tenham orgulho de torcer pela cruz de malta. Assim como se sentiam orgulhosos os vascaínos da década de 20.
    A história precisa se repetir mais uma vez.
    Abçs Garone.
    Silvio Conde.

    • Anderson Mariano

      nunca assistiu um jogo na Inglaterra né?? o texto é sobre pessoas e não clube ou estádio

      • Racional

        Mariano, acompanho o futebol da Premier League. E diga-se de passagem, vc ficou sabendo que o Chelsea, o West Ham, o Tottenham todos estes time londrinos estão viabilizando a remodelação de seus estádios?? E que o Arsenal, também de Londres, foi o pioneiro nesta empreitada??…….tudo isso para dar aos seus respectivos torcedores mais segurança e conforto?? Ou vc pensa que foi por outro motivo??
        Se vc não sabe, é vc que não acompanha o futebol inglês.

        • Noitada

          A segurança e conforto para os torcedores na Premier League começou há muitos anos atrás na batalha para a retirada dos famosos torcedores denominados “Hooligans” que amedrontavam os verdadeiros torcedores e quando a federação inglesa percebeu que esse grupo era o motivo das violências nos estádio acabou havendo um enorme apelo contra eles modificando leis e tornando severas para aqueles que praticassem tais atos, tanto que hoje em dia é quase extinto esse tipo de torcedores dos estádios e arredores, portanto o que os clubes estão fazendo de reforma para viabilização e conforto para os seus torcedores é graças a luta contra os torcedores violentos que outrora ameaçavam a paz nos estádios.

    • Fernando

      Argumento extremamente valido. As novas arenas apresentam indices de problemas muito maiores que Sao Januario, por que sera? Espírito vanguardista sim, porém ser menosprezar as raizes. Quanto a modernização, ela já esta acontecendo neste mesmo momento, com a implantação do CAPRES e o aumento da carga para 25.000 pessoas. Com o fechamento do anel da arquibancada, a carga deve subir para 35.000 pessoas.

      • Racional

        Não custa lembrar que o CAPRES está sendo viabilizado integralmente com recursos da iniciativa privada (AMBEV). Mas quanto a fechar o anel, a diretoria do Vasco deveria pensar numa remodelação profunda do estádio, assim como fez o Palmeiras. Uma remodelação que pense no torcedor que irá de carro para o estádio, no acesso qualitativo de torcedores PNE no estádio, em mais opções de comer em S. Januário. O torcedor tem que ir neste novo estádio não para passar apenas 2 horas no estádio, mas quem sabe uma tarde inteira agradável, visitando o museu do clube, seus restaurantes, lojas, deixando receitas e dividendos para o clube. O clube têm que acordar e explorar a sua maior fonte de receita: a paixão de seus torcedores.

    • Fiuza

      Concordo totalmente com vc, e mais,a Diretoria é tão incompetente q já ouve projetos de reforma e revitalização de SJ, e cadê??? onde está aquele estádio q até maquete o SR. Euvirus criou???!!!! São Januário perto de outros estádios chega ser arcáico……
      Precisamos de uma Diretoria que seja capaz de acompanhar a modernização do futebol,tanto no Estadio,na administração,na gerência do plantel do time,não só no futebol,mas em todos os esportes envolvidos. O Remo que é mais tradicional que o futebol está jogado as traças, e nenhum clube faz nada.
      E a culpa é somente de quem votou neste Cidadão Senil e sem escrúpulos chamado de Eurico Miranda……
      Mesmo depois da tragédia de 2000, Este Senhor não fez nada.
      São Januário é nossa casa,faz parte da nossa história……Se quer q seus filhos (torcida) tenham o respeito de volta,comece pela nossa casa, nosso caldeirão, essa é a lógica

  • Jorge Guerreiro

    Finalmente um título de campeão será comemorado em são januário e não um vice. Podem colocar 200.000 pessoas, a goleada será a mesma.

  • Anderson Mariano

    100% perfeito!!!

    • Racional

      100% incorreto. Se o poder público faz a sua parte e trabalha e julga o estádio de São Januário seguro somente para 15 mil pessoas devemos respeitar!!
      Porque o mesmo poder público quando se omite, é duramente criticado após algo de errado acontecer.
      Como foi dito antes, a intenção do autor do blog, foi de usar argumentos românticos para subverter a realidade dos fatos. Segurança em 1º lugar. Estádios de futebol devem obedecer padrões rígidos de segurança para que estes não se transformem em ratoeiras humanas.

      • Fiuza

        Exatamente,mas esses padrões de segurança só foram criadas, pq existem esses Marginais no meio das torcidas.Que se deve respeitar o que foi decidido pelo poder público,corretíssimo, e será respeitado pelo CRVG, se decretaram q só cabe 15 mil, Terá (assim espero) 15 mil no estádio.
        Porém a ótica desta postagem não é se o Vasco deve desrespeitar a ordem pública ou não, e sim q independe da quantidade de torcedores q lá estiverem, se tiver q acontecer algum caso de violência, vai acontecer!!!.
        Pode ter 40 mil ou 5 mil, se os Marginais travestidos de torcedores, praticarem ato violento,será horrível do mesmo jeito.
        E isso se deve pela “ignorância humana”, no trem, no onibus, no transito ou nos estadios,seja onde for,independente da quantidade de pessoas,A violência impera,destrói, mata e o poder público não coíbe,não prende,se torna impune, seja no Brasil ou no Mundo, a “ignorância humana” tem q ter um fim.E lembrando,que não é só nos estádios q a violencia tem q ser combatida,e sim no entorno dela,quantos ja não morreram depois de acompanhar um Vasco e Flamengo, quando retornaram para suas casas??? Milhares.
        O Vasco tem q respeitar sim o q for determinado,tem q fazer o certo, assim como o poder público,e os torcedores.Futebol é diversão,é zoeira,não é lugar para pessoas ignorantes.

      • EDUARDO COSTA

        O preconceito com esse estádio histórico é enorme mesmo!!!!!!!!!
        com certeza vc torce pros mulambos ou tricoletes que até hj não engoliram a hipótese de termos um estádio e vcs não!!!!!!!
        se ao menos vcs soubessem se comportar na casa dos outros não teríamos problemas!!!!!!!!!!!!

  • Bira Fogão

    Concordo que é o Poder Público que tem a competência para para determinara a capacidade máxima de pessoas dentro de um estádio. Só não concordo com a presença da Polícia Militar trabalhando dentro dele. Lugar de Polícia é na Rua. A segurança interna dos estádios cabe aos seus proprietários. Se uma Instituição promotora de qualquer evento não tiver condições de dar segurança aos seus usuários, que perca essa condição de promover espetáculos e feche-se o seu Circo !!!!!
    O PODER PÚBLICO NÃO PODE SERVIR DE “BABÁ” PARA FESTAS PARTICULARES.

  • Jorge Guerreiro

    Paris é super segura e o pior não pôde ser evitado. Com as manifestações de MST, caminhoneiros, CUT, confrontos com a guarda nacional e com as forças policiais e a invasão para a festa do título programada para são januário é preocupante sim.

  • EDUARDO COSTA

    Disse tudo meu amigo!!!!!!!!!!!!!
    não vamos esquecer que em estádios bem maiores com boa infraestrutura já tiveram vários problemas justamente por causa dos marginais que se misturam ao verdadeiro torcedor que só quer curtir o jg numa boa e em paz!!!!!!!!!!!!

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