Rio de emoção



Nenê carrega a taça (Foto: Wagner Meier/Lancepress)

Nenê carrega a taça (Foto: Wagner Meier/Lancepress)

Quando se inicia um texto de uma final, não se sabe se o assunto a ser tratado é futebol ou religião. Quem canta não torce, faz oração. O escudo vira terço, de um torcedor que se entrega por inteiro.

Num dia de decisão, não há espaço para meias paixões. Menores porções. Nem de amor, nem de dor. É um frio na barriga que aquece a alma. Queima como gelo, mas não adormece o corpo. Principalmente o coração.

Na prece, ex-jogador vira padroeiro e gol histórico se torna milagre oficial. Idolatria de imagens da memória, de santos vivos. Para não parecer que é algo somente humano, Deus separou um Rafael para cada título. São Rafael.

Silva e Vaz. Para mostrar que fé nunca é demais. Até pra quem não acredita na segunda-feira, mas ainda assim se ajoelha aos domingos. Em outro templo, de olho no tempo. Aqueles 90, que quase ninguém aguenta.

Quem chorou, sentiu. Quem levantou, aplaudiu. Não só o Vasco, mas também o Botafogo. Não seria pecado se o título acabasse em outras mãos, mas seria incompleto se não caísse nesses pés. Ou cabeças.

Quisera eu, se pudesse ter um breve diálogo com Deus, quem sabe, por engano ou um erro calculado, todo jogo se tornasse uma decisão. Num pedido meio torto, egoísta, o grito de campeão fosse eterno. Um eco que ganha corpo, e de tão constante parece silêncio.

O Rio respira um Vasco campeão. O Vasco transpira um rio de emoção.



  • Victor Figueiredo

    Se Deus quiser separar outro Rafael pro título de 2017, sugiria o Sobis ex flor e inter quem dera ele no Vascão

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