Riascos, o anti-herói



Riascos fez o gol da virada sobre o Macaé (Foto: Delmiro Junior/Photo Premium)

Riascos é um personagem muito maior que o próprio jogador. Digo isso pois espera-se pouco do colombiano como atleta, porém, muito da figura.

Veja bem, tenho pra mim que quem marca os gols não é Riascos, aquele que domina bolas com a leveza de um muro de concreto ou que toma decisões tão sábias quanto um bêbado correndo com uma faca, mas sim a persona, o herói criado na mente vascaína. Esse sim, diferenciado.

Ou melhor: o anti-herói. Uma espécie de intrépido atrapalhado.

Riascos é um atacante questionável, mas um personagem incontestável. É improvável, errático e inconstante, como nenhum jogador deveria ser. Porém, são estas as qualidades que toda grande figura precisa ter. E ele as carrega com um carisma ímpar.

Já disse aqui outra vez: o colombiano é o único ser humano capaz de transformar uma imitação de um verme em algo simpático. Isso, por si só, já é um grande feito. Único, pelo menos.

Riascos é como o Big Brother: muitos gostam, mas poucos assumem.

O colombiano, cheio de defeitos e oscilações, tão mortal quanto um peixe de aquário, ocupa o local dos eternos: o ataque vascaíno. E é exatamente essa a sua proximidade com a torcida: não é um intocável. Muito pelo contrário! Riascos tem o sorriso da pessoa comum, daquele que se encanta com qualquer céu mais azul. E é aí que ele brilha.

Convenhamos: há de se ter algo de especial para fazer um gol aos 50 minutos do 2º tempo. Nem que seja apenas sorte. Ainda que seja somente contra o Macaé.

A verdade é que tudo o que aconteceu antes do gol de Riascos, ou seja, todos os 90 minutos disputados anteriormente ao seu tento de cabeça, se tornaram emocionalmente irrelevantes diante do seu reencontro com as redes. Como se a noite toda tivesse sido escrita para o atacante.

O jogo para esquecer, de repente, se tornou inesquecível. Ainda que de forma individual.

A partida, tecnicamente sofrível – amanhã escrevo sobre isso -, no fim, se tornou emocionalmente agradável. Um alívio necessário. Graças a Riascos.



MaisRecentes

Vasco pode lucrar com a ida de Danilo para a França



Continue Lendo

Martín Silva pontua no Troféu Ademir Menezes; Pikachu reassume a liderança



Continue Lendo

O voo do Vasco



Continue Lendo