A realidade do Vasco



Vasco sofreu suas terceira goleada na Libertadores (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

De camisa nova e velhos hábitos, o Vasco entrou no campo de São Januário para enfrentar o Cruzeiro. O novo traje trazia na frente uma propaganda em forma de súplica: Seja um Gigante. Era o anúncio do programa de sócios do clube, mas bem que poderia ser um pedido da própria veste aos que o comandam e a defendem em campo.

Todo coração tem limite. É músculo, portanto, fadiga. E o Vasco desde o início do ano tem entregue apenas isso: o limitado e falível coração. Quase nada de futebol. Muito pouco até para um Estadual. Em uma Libertadores, inaceitável. Uma inevitável, e até previsível, eliminação.

Na anatomia torta do time de Zé Ricardo, o Vasco foi só pulmão no início da partida contra a Raposa. Como tem sido quase sempre em momentos distintos dos jogos. Desta vez, precisava mais. Com um minuto, Thiago Galhardo já fazia Fábio trabalhar. Quatro minutos depois, de novo. Muito ímpeto e pouco organização. Ou precisão.

Não é de hoje que o Cruz-Maltino sofre para propor o jogo. Frágil coletivamente e individualmente, a equipe quebra tal qual galho seco na mais leve pressão. Os números não mentem: foram quatro finalizações do Cruzeiro e quatro gols marcados. Do Vasco, foram 15 e nenhuma nas redes. Competência e qualidade que faltam ao time de Zé Ricardo. Ao elenco, para ser mais exato.

Wellington perde a bola na saída e os mineiros abrem o placar na sequência. Pikachu deixa o corredor na direita, Paulão marca a bola e Thiago Neves faz o segundo. Sassá arrisca de longe e Martin Silva, adiantado, sofre o terceiro. Tudo isso num espaço de apenas 23 minutos.

Zé Ricardo não consegue tampar os buracos do Vasco mais rápido do que seus adversários os aproveitam. Foi assim também contra o Racing, na Argentina. Mas convenhamos, alguns são tão antigos que o treinador parece se recusar a ver. Wellington e Paulão seguem falhando e andando, e Zé faz o mesmo em relação aos dois. Ou parecido, como na frase popular.

Mais uma vez o volante terminou uma partida sem nenhum desarme, apenas uma assistência para finalização e com mais de 50% de seus passes direcionados a jogadores de defesa – 18 de 32, segundo o Footstats -, tendo Paulão e Bruno Silva como seus principais alvos. O zagueiro, por sua vez, segue errando no posicionamento nos cruzamentos. E até quando acerta, é a arbitragem quem erra, como no primeiro gol cruzeirense, em impedimento.

Perdendo por 3 a 0, o Vasco foi para o intervalo matematicamente eliminado e moralmente devastado. O coração, única arma time, já pulsava mais fraco. Assim como a arquibancada, parcialmente mais preocupada em defender dirigentes do que o clube.

Ainda assim, a equipe voltou para a etapa final disposta a morrer atirando. Tentou com Ríos e parou em Fábio. Novamente com o argentino, e foi parado pela falta de pontaria. Só coração já não bastava, era necessário qualidade. Algo que não falta ao Cruzeiro, que fez o 4º com Sassá, em mais um erro da arbitragem, que não marcou falta em Werley.

Erro esse que não anula o fato de que, mais uma vez, a defesa vascaína se viu desorganizada e em desvantagem.

E se não fosse a galhardia de Thiago, que foi lateral, volante, meia e zagueiro, se lançando de carrinho para evitar a finalização de Lucas Silva, já aos 30 minutos, poderia ter sido mais.

Escrevi aqui, na 1ª rodada da fase de grupos da Libertadores, que o Vasco estreava com sabor de adeus, ao perder para a Universidad de Chile, em São Januário. O que era esperado, a eliminação, se confirmou nesta quarta-feira.

A verdade é que a grande surpresa, no entanto, é o clube estar disputando uma competição continental em meio a tudo que vive. Ou sobrevive.

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