Rafael Marques e a sobriedade defensiva



Rafael Marques marcou seu 1º gol pelo Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Rafael Marques marcou seu 1º gol pelo Vasco (Foto: Paulo Fernandes/Vasco)

Há jogadores que, quando entram, alteram o padrão tático e/ou elevam o nível técnico do time. Porém, existem também aqueles que mudam o espírito da equipe. Rafael Marques, com Milton Mendes, tem tido esse efeito no grupo.

Não é dele a faixa de capitão. Sequer é o defensor com mais potencial individual. E nem precisa. A voz que mais tem sido ouvida em campo, entretanto, é a do zagueiro. Sem a necessidade de uma braçadeira ou garantias de titularidade, foi nos últimos jogos a sobriedade defensiva que o clube procurava.

Se era a postura o primeiro ponto a ser mudado, começou a transição após sua entrada.

Ninguém tem sido mais Milton Mendes em campo do que Rafael Marques. É dele a orientação das jogadas desde a sua saída até recomposição no contra-ataque adversário. De forma natural, sem euforia, se tornou o orientador, o maestro, defensivo de uma equipe que precisa ser direcionada a todo momento.

Um nome até então esquecido, que foi resgatado exatamente pelo treinador. Ainda que pelas circunstâncias.

Contra o Nova Iguaçu, neste domingo, até mesmo Rodrigo, acostumado a roubar os holofotes para si, foi mais discreto tendo o companheiro ao seu lado. Parecia que Marques era o dono da posição há longo tempo, não o camisa 3.

Rafael acertou todos os 29 passes que tentou*, marcou o gol que abriu o placar e conseguiu ainda um desarme e 8 rebatidas defensivas. E teria sido tão eficiente ainda que não deixasse sua marca. É esse o ponto principal de um zagueiro: a discrição.

Nem tão bom que possa errar por excesso de confiança, nem tão ruim que a falta dela o leve ao erro.

Nos últimos cinco jogos, onde Rafael Marques atuou os 90 minutos, o Vasco sofreu apenas 3 gols, sendo dois deles no clássico com o Flamengo, onde o time jogou o 2º tempo quase todo com um homem a menos. Contra Botafogo, Madureira e Nova Iguaçu, nada da rede ser estufada.

Mesmo tendo disputado apenas cinco partidas no Estadual, é o líder vascaíno em rebatidas*, com 55. Número que explica a evolução no jogo aéreo defensivo da equipe. E isso dá estabilidade.

O Vasco ainda não convence em campo. Parece sofrer da mesma síndrome de outros anos, onde demonstrava pouco interesse em duelos contra os menores, perdendo a oportunidade de afirmar seu futebol. Mas algumas novidades do técnico têm correspondido. Pikachu, autor do 2º gol, é outro.

Pequenos detalhes que separam o trabalho de Milton do de Cristóvão. Ao menos no que diz respeito à estrutura. E tem dado certo.

Algumas peças ainda não funcionam, como Luis Fabiano, por exemplo. As dobras nas pontas também não fluem como deveriam – tanto que Kelvin e Pikachu mudaram de lado durante o jogo. Ainda assim, consegue vencer, o que não vinha fazendo. Principalmente em razão do seu setor defensivo sofrer menos.

E muito disso graças a entrada de Rafael Marques, o novo titular vascaíno.

* Dados Footstats



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