Preto, o Casagrande que não fazia gols mas que vestiu a 10 de Pelé



Preto brilhou contra o Inter em 94 (Foto: Reprodução/Youtube)

Preto brilhou contra o Inter em 94 (Foto: Reprodução/Youtube)

No dia 23 de outubro de 1994, surgia no gramado do Maracanã o que parecia ser uma nova joia vascaína produzida em meio àquela bela safra do início da década de 90. Vestindo a camisa 10 do Vasco, Preto Casagrande faria sua primeira e única partida memorável pelo Cruz-Maltino.

Em campo, contra o Internacional, nada mais, nada menos do que dez titulares oriundos das divisões de base do clube de São Januário: Carlos Germano, Pimentel, Alex Pinho, Bruno Carvalho, Viana, Preto, Yan, Gian, Pedro Renato e Valdir. Apenas Alexandre Torres, revelado pelo Fluminense, não tinha passagem pelos juniores da equipe.

Preto, até então, não utilizava seu sobrenome – acrescentaria após chegar ao Santos e atuar ao lado do zagueiro que tinha o mesmo apelido -, que nada tem a ver com o centroavante que brilhou com a camisa do Corinthians. Muito pelo contrário. A carreira do meia seria marcada mais pela competência em ser um bom coadjuvante do que por ser o protagonista. O brilho naquela tarde de Maraca – de pouco público, é bem verdade – seria um momento raro na vida do jogador.

Era difícil distinguir em campo quem era quem naquele time repleto de garotos. Com cabelos asa-delta, Yan, Gian, Preto, Bruno Carvalho e Pedro Renato confundiam aqueles que assistiam das arquibancadas e também a marcação colorada. Foram cinco gols vascaínos naquela partida, dois deles de Casagrande. Primeiros e únicos pelo clube que o revelou. O artilheiro do dia ainda carimbaria o travessão antes do zagueiro Alex empurrar contra as próprias redes no quarto gol cruz-maltino. Poderia ter sido um hat-trick.

Preto comemora um de seus gols contra o Internacional (Foto: Reprodução/Youtube)

Preto comemora um de seus gols contra o Inter (Foto: Reprodução/Youtube)

Este era apenas o terceiro jogo do garoto de apenas 19 anos pelos profissionais. Havia sido expulso no segundo, contra o Corinthians, uma semana antes, e sentia naquele momento o primeiro gosto do sucesso. Sua estreia tinha ocorrido no dia 9 daquele mês, contra o Fluminense, num empate em 0 a 0.

Mas sua passagem pela Colina seria curta. Com a saída de Sebastião Lazaroni e a chegada de Nelsinho Rosa, o jogador, assim como muitos da base, perderam espaço no elenco e foram ‘rebaixados’ ao Expressinho. Em 95, disputou um jogo no Carioca, um no Brasileiro e cinco em amistosos e partidas da Copa Rio, onde o Vasco utilizava a equipe B. Era o fim da trajetória de Preto Casagrande em São Januário, após 17 partidas e somente dois tentos.

Junto com Pedro Renato, Cláudio Gomes, Luciano, Bruno Lima e Hernande, foi emprestado ao Olaria, em 96, onde atuou ao lado de Arturzinho, o Rei Artur, já em fim de carreira, ao 40 anos de idade. De lá, nunca mais retornou ao Vasco.

Brilhou no futebol baiano, primeiro no Vitória, depois no Bahia, e aos poucos foi recuando e evoluindo. Chegou ao seu auge atuando pelo Santos, em 2004, onde foi titular absoluto do time que tinha Robinho como astro e que terminou o ano como campeão brasileiro. De quebra, herdou a histórica camisa 10 de Pelé – que hoje completa 75 anos -, antes usada por Diego, após o meia se transferir para o Porto, de Portugal.

Com sobrenome de artilheiro e número de craque às costas, Preto foi discreto em sua carreira. Assumiu muitas vezes o papel de carregador de piano e o fez bem feito. Não virou aquele meia artilheiro que há exatos 21 anos brilhou no Mário Filho, mas ainda assim conseguiu ter uma carreira ainda mais vitoriosa que muitos outros atletas de sua geração que se esperava muito mais.

FICHA DO JOGO

Vasco Da Gama 5 x 2 Internacional (RS)
Data: 23/10/1994
Campeonato Brasileiro
Local : Maracanã (Rio de Janeiro – RJ)
Arbitro : Valdomiro Matias Da Silva
Público : 3.313
Gols : Preto (Vasco 7/1ºT), Valdir (Vasco 34/1ºT), Preto (Vasco 43/1ºT), Nando (Internacional 4/2ºT), Gian (Vasco 7/2ºT), Alex (Internacional/Contra 19/2ºT) e Mazinho Loyola (Internacional 35/2ºT)

Vasco – Carlos Germano, Pimentel, Alexandre Torres (Cláudio Gomes), Alex (Tinho), Bruno Carvalho, Vianna, Yan, Preto, Gian, Valdir e Pedro Renato Técnico : Sebastião Lazaroni

Internacional – Sérgio, Luís Carlos Winck, Argel, Alex, Robinson, Anderson, Mazinho Loyola, Luís Fernando, Caico, Nando e Dinei Técnico : Cláudio Duarte



  • ODILON SILVA = RJ

    Foi um sonho de verão……………foi um RIO que passou na minha vida……………esse jovem atleta prometia, tinha estilo, não sabemos qual o motivo que ele na época não deu certo, de repente foi a fase do time, dele mesmo, ou clima ruim no clube, ou seu futebol foi esse mesmo.

  • ODILON SILVA = RJ

    Agora torcer para o time jogar bem domingo contra o Grêmio domingo no maraca, a hora é essa, estamos no olho do furação, ou vai ou racha, é agoraaaaaaaaaaaa……………………..Domingo é dia da torcida que carrega a CRUZ DE MALTA no peito dá as caras no maraca, domingo é dia da torcida vascaina se encontrar com seu grande, inesquecível capitão BELLINI, domingo é dia de saudar, tirar aquela foto em frente a estátua do BELLINI, o grande capitão vascaino, o primeiro capitão da seleção brasileira campeão do mundo, o primeiro capitão da seleção brasileira a levantar uma TAÇA DE CAMPEÃO DO MUNDO para o BRASIL…………SALVE O BELLINI, SALVE O MARACA, SALVE O BRASIL, SALVE O VASCÃOOOOOOOOOOOOOO

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