Presente de grego



Vasco de Valdir não teve boa atuação (Foto: André Melo Andrade/Eleven)

Existem duas datas em que o homem não quer ser incomodado de maneira alguma: no Natal e no seu aniversário. O Vasco, entretanto, parece pensar diferente.

Sem o menor pudor ou embaraço, o clube vai se chegando e aconchegando próximo à zona de rebaixamento. O time parece ter aceito novamente a briga para não cair, sem esboçar qualquer força ou resistência. O canto da sereia já não é mais um mito, é medo.

Como se a proximidade do Z4 já não fosse incômodo o suficiente para o seu torcedor, o Cruzmaltino escolheu como data para o flerte a véspera de seu aniversário. Dentro de casa. Ato que impede qualquer tipo de parabéns que não seja proferido entre o ranger dos dentes e apertos de mãos intimidadores.

O parabéns, nesse caso, soa mais como um esporro do que como um cumprimento.

Desprovido de qualquer explicação prévia, Valdir mandou a campo para o aniversário, tendo o Ceará como adversário, um time sem um dos poucos convidados capazes de dar um bom presente: Andrey. Na contramão de tudo que rege as regras do aniversariante, trocou um volante por meia, uma das lembrancinhas mais clichês e brochantes quando dadas ao acaso.

Ninguém gosta de ganhar meias no aniversário. Principalmente as que não esquentam.

Giovanni Augusto, com a displicência de um turista à beira-mar, errou oito passes na partida. Wagner, outros sete. Thiago Galhardo, seis. Mais de 20 trocas tortas por aqueles que deveriam realinhar o time. Era essa a ideia de Valdir. E foi esse o seu erro.

A ideia de sacar um cabeça de área e colocar um apoiador dá a sensação de um time mais ofensivo. No papel, é isso. Mas qualquer desavisado que já foi num aniversário sabe que nem tudo que parece no papel realmente é. Tem docinho que aparenta ser de brigadeiro branco e é surpresa de uva.

Apesar de ser volante, Andrey tem mais gols que todos os meias de armação do Vasco. Apenas Pikachu, que muitas vezes centraliza como atacante, balançou mais vezes as redes. Além disso, supera Giovanni Augusto e iguala com Wagner em assistências. Tudo isso sem perder a combatividade no meio-campo – é o líder de desarmes do time no Brasileiro.

Valdir errou. E não corrigiu.

Sem jogadas de construção entre os meias, Maxi Lopez se tornou uma espécie de para-raio solitário no ataque, se cotovelando com os zagueiros como uma criança em busca do primeiro pedaço de bolo.

Muito pouco para quem pôs em campo quatro meias para criar.

Wagner, com a força de quem chuta uma bola de concreto, mas com a precisão de quem escreve com pena, ainda deu a enganosa esperança de vitória. Não demoraria, entretanto, para o Ceará empatar. Em mais um jogo aéreo. Mais uma vez com Martin Silva mais perdido na saída de bola do que gringo na Novo Rio*.

O pior presente de aniversário do Vasco é o que ele próprio vive, com baixa expectativa sobre o futuro.

Youtube: Canal do Garone
Twitter: @BlogDoGarone
Facebook: /BlogDoGarone
Instagram:@BlogDoGarone

* Novo Rio é a rodoviária central do Rio de Janeiro



MaisRecentes

Vasco tem mais lesões do que vitórias em 2018



Continue Lendo

Não é azar



Continue Lendo

Artilheiro, Maxi López assume também o posto de garçom no Vasco



Continue Lendo